A MORTE DAS ILUSÕES


Ao longo do tempo minhas ilusões ideológicas foram morrendo, uma a uma.
E esse sepultamento causou uma dor imensa na alma.
Dor de ver todos os sonhos evaporando-se como nuvens. Estes que pareciam tão sólidos e compactos.
Hoje não acredito em nada mais. Não acredito mais nesse partido que me ensinou através de seus líderes e história a votar em projetos e não em pessoas; que fez brilhar meus olhos acreditando na possibilidade de um outro mundo, mais justo igual e solidário;( que baita ingenuidade minha), que fez eu ter convicção em uma revolução do proletariado e levantar uma bandeira com o orgulho e a tranquilidade da seriedade, ética e fidelidade teórica-prática.
Um partido que me tornou sectária e leal a um projeto o qual me identificava, portanto era minha verdade mais pura (e realmente era só minha!)
Este partido que foi minha grande escola de dignidade, humanidade e respeito, em busca da institucionalidade, do poder foi se corrompendo e se perdeu.
Trocou as bandeiras, antes erguidadas entre lágrimas de derrotas ou injustiças por malas cheias de propinas e mensalões; a calça jeans surrada por ternos finíssimos engomados com a podridão da corrupção.
E o mais importante, perdeu a sua essência, exatamente igual a qualquer outro partido.
Por tudo isso, eu não acredito mais.
Não foram só fatos pessoais que me decepcionaram, mas a decadência e a morte de minhas convicções políticas e a vergonha de hoje levantar uma bandeira com o peso da promiscuidade e profanidade política.
E esse peso de minha bandeira, que era vermelha e representava a revolução, hoje é vermelha de vergonha. Onde o amarelo representava a esperança de um novo amanhã, hoje reluz com o ouro da canalhice e o preto que mostrava o luto contra as impunidades e desigualdades, hoje representa a morte de tudo o que foi.
Por tudo isso, eu não acredito mais.

kk

" Oporemos ao mal com um mal maior, e diremos é a Lei? E combateremos o vício com outro vício pior, e diremos é a moral? E lutaremos contra o crime com crimes mais cruéis e diremos "é a justiça". Gibran

3 comentários:

  1. Eu a felicito por ter deixado morrer tudo que não eras tu,recebeste o beijo da morte em vida,beijo sem labios apenas calor e vida,é meu sincero desejo que se ainda há algo para morrer em ti, sinta-se a vontade entre nós, os poucos mortos.

    Tigre.

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  2. Sem dúvida . E foste um bom coveiro meu amigo...

    O Coveiro

    Aconteceu quando estava a enterrar um dos meus Egos. Aproximou-se de mim o coveiro e disse-me : " De todos quantos aqui vêm enterrar os seus defuntos, tu és o único simpático". Respondi : " Fico muito contente com as tuas palavras, mas, peço-te que me digas : - Por que te inspiro tal simpatia ? "

    Ele respondeu : "Porque todos chegam aqui a chorar e saem também a chorar. Tu foste o único que chegaste a rir e te vais embora a sorrir."

    (O Louco - Kahlil Gibran - Pág. 33)

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  3. Eu não te felicito por tuas mortes, até porque o corpo humano é possuidor de sabedoria própria, a qual não se engana. Nós, seres humanos, esquecemos desta sabedoria do corpo e nos orientamos apenas pelo conhecimento intelectual advindo de nossa cabeça. Contrário ao nosso intelecto, o corpo está sempre nos chamando para o mundo real que nos cerca. Então isso aconteceria em ti cedo ou tarde. ouvir o que não é dito. enxergar o que não esta a mostra etc. E a vida, que antes era como um barco à mercê dos ventos e tufões, adquire controle de si própria e navega em águas tranqüilas.
    namaste

    Francisco

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