Sem...
Foto: Luis Gaspar
Vem dormir nos meus sonos
enquanto se acalma o mar.
Sinto assim um pedaço do teu amor
no fragmento imenso das noites dançarinas.
Os acordes do vento recordam-me
as noites em que esquecemos os demais,
aquelas eternas noites de portas douradas
sem o sabor amargo das palavras mudas
e da tristeza dos gestos quietos de hoje.
O tempo não teve compaixão
e o vazio das tuas sombras
desenham-se agora na cama
que um dia desejaste…
Secaram os beijos e as carícias
que galopam nos dias perdidos de ontem
e os sonhos que foram de outra cor
agora em fogo cinza,
dormem sob as pedras,
sem refúgio, sem calor
sem paixão, sem amor.
António Carlos Santos
Te basta?
No silêncio da madrugada essa saudade sem rosto
Um passado de alguma cumplicidade, raro afeto e tantas palavras
Hoje sem presente
Amanhã sem futuro
Só a lembrança das conversas sem olhos
Do zelo sem abraços ou daquele beijo na testa ( nunca dado)
Sem calor
Talvez um quase amor ou um quase nada
Alguns risos e muitas melancolias
Alguma troca
Oposto. estranheza. dúvida.
Um querer ( meu).
Ainda estás aqui.
Já basta.
Te basta?
Carne trêmula
Nem venha,
Se não for para doer
Se não for para queimar
Se não for para entregar
Se não for para perder,
No meu jogo
Quem dá as regras sou eu;
Nem venha
Se não for para marcar
À fogo e mel
A pele que me habita
A boca que deseja
A febre que arde
E nunca tem cura;
Nem venha
Se não pode arriscar
Em perder tudo
Ou ganhar o céu
Voo sem previsão
De pouso seguro
Turbulência no coração.
Mariana de Almeida
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