Sem...

                                            Foto:  Luis Gaspar


Vem dormir nos meus sonos
enquanto se acalma o mar.
Sinto assim um pedaço do teu amor
no fragmento imenso das noites dançarinas.
Os acordes do vento recordam-me
as noites em que esquecemos os demais,
aquelas eternas noites de portas douradas
sem o sabor amargo das palavras mudas
e da tristeza dos gestos quietos de hoje.

O tempo não teve compaixão
e o vazio das tuas sombras
desenham-se agora na cama
que um dia desejaste…
Secaram os beijos e as carícias
que galopam nos dias perdidos de ontem
e os sonhos que foram de outra cor
agora em fogo cinza,
dormem sob as pedras,
sem refúgio, sem calor
sem paixão, sem amor.


António Carlos Santos 

 

Sexta feira 13


 

Te basta?

 

No silêncio da madrugada essa saudade sem rosto 
Um passado de alguma cumplicidade, raro afeto e tantas palavras
Hoje sem presente 
 Amanhã sem futuro 
Só a lembrança das conversas sem olhos 
Do zelo sem abraços  ou daquele beijo na testa ( nunca dado) 
Sem calor
Talvez um quase amor ou um quase nada
Alguns risos e muitas  melancolias 
Alguma troca 
 Oposto.  estranheza.  dúvida. 
Um querer (  meu).
Ainda estás aqui.
Já basta. 
Te basta?  




Carne trêmula

 


Nem venha,

Se não for para doer

Se não for para queimar

Se não for para entregar

Se não for para perder,


No meu jogo

Quem dá as regras sou eu;


Nem venha

Se não for para marcar

À fogo e mel

A pele que me habita

A boca que deseja

A febre que arde

E nunca tem cura;


Nem venha

Se não pode arriscar

Em perder tudo

Ou ganhar o céu

Voo sem previsão

De pouso seguro

Turbulência no coração.


Mariana de Almeida

O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...