Helena Petrovna Blavatsky


"Não há nenhum bem ou mal em si, como não há nem "elixir da vida" nem "elixir da morte", nem veneno em si. Tudo está contido na única e mesma essência universal, dependendo os resultados do grau de sua diferenciação e de suas várias correlações. O seu lado de luz produz vida, saúde, bem-aventurança, paz divina, etc.; o lado de trevas traz morte, doenças, tristezas e conflitos."

(A Doutrina Secreta)

"A perfeição, para ser completa, deve nascer da imperfeição; o incorruptível deve brotar do corruptível, tendo a este por veículo, base e contraste."(A Doutrina Secreta)
"Agir e agir sabiamente no momento oportuno, esperar e esperar pacientemente quando é hora de repouso, põem o homem em sintonia com as marés cheias e baixas, de sorte que, com a natureza e a lei como apoio, e a verdade e a beneficência como farol, ele pode realizar maravilhas."(Ocultismo Prático)

Olhar


Não entendo porque as pessoas teimam em tentar entender certas questões as quais não tem a mínima condição de compreender. Creio que seja por ignorância o que ocorre geralmente. Raros os que simplesmente se detém em apenas sentir, ouvir, silenciar, observar....raros os que não usam as lentes turvas da simploridade...raros...tão raros...por onde andam? aonde estão?...sinto falta de algo que não sei bem como definir....o vazio...aquele vazio detestável do tudo ou do nada como prefiram....

Solidão




ZÉ RAMALHO



A solidão é fera, a solidão devora
É amiga das horas, prima, irmã do tempo
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração
Solidão
A solidão dos astros
A solidão da Lua
A solidão da fera
A solidão da noite
A solidão da rua
A solidão é fera.... solidão da rua
"Só é verdadeiramente grande aquele que, considerando a vida como uma viagem que tem um destino certo, não se incomoda com as asperezas do caminho, não se deixa desviar nem por um instante da rota certa. De olhos fixos no seu objetivo, pouco se importa que os obstáculos e os espinhos da senda o ameacem; estes apenas o roçam, sem o ferirem, e não o impedem de avançar. Arriscar os dias para vingar uma ofensa é recuar diante das provas da vida; é sempre um crime aos olhos de Deus; e, se não estivésseis tão enleados como estais, nos vossos preconceitos, seria também uma ridícula e suprema loucura aos olhos dos homens."
O Envangelho Segundo O Espiritismo,cap.XII
Estou triste....muito...ainda sinto a dor de não ser compreendida essencialmente...será que alguém consegue entender o que sinto e falo neste momento? Existem necessidades em mim que estão caladas, e que de vez em quando gritam machucando minha garganta e dilacerando meu peito...mas deixa para lá....é algo que ninguém consegue alcançar em mim....ninguém....

Tentativas

Uma nova chance, uma nova oportunidade, uma nova ilusão talvez...


Parece que estou sentindo de novo algo que em meio a tempestade de neve havia congelado minha alma...um novo sentimento, diferente daquele outro que doía e fervia...e dilacerava internamente...algo suave, leve e de uma paz profunda...forte mas de uma calmaria que me causa estranheza...estou feliz, não sei se amanhã ainda sentirei assim, não sei o amanhã e incrivelmente nem penso em saber...somente vivo este presente...que me faz sentir de novo...um grande risco...mas não temo mais...porque o que sinto é algo que não quer nada além do que vem de mim mesma...desprendido de tudo e todos...

Carla


"Quando o amor acenar, siga-o ainda que por caminhos ásperos e íngremes.E quando suas asas o envolverem, renda-se a eleainda que a lâmina escondida sob suas asas possa feri-lo.E quando ele falar a você, acredite no que ele diz, ainda que sua voz possa destroçar seus sonhos, assim como o vento norte devasta o jardim. Pois, se o amor o coroa, ele também o crucifica. Se o ajuda a crescer, também o diminui. Se o faz subir às alturas e acaricia seus ramos mais tenros que tremem ao sol, também o faz desceràs raízes e abala a sua ligação com a terra.Como os feixes de trigo, ele o mantém íntegro. Debulha-o até deixá-lo nu. Transforma-o, livrando-o de sua palha. Tritura-o, até torná-lo branco. Amassa-o, até deixá-lo macio; e então submete ao fogo para que se transformeem pão no banquete sagrado de Deus. Todas essas coisas pode o amor fazer para que você conheça os segredos do seu coração,e com esse conhecimento se torne um fragmento do coração da Vida."




Gibran

São Francisco de Assis



O que temer?
Nada.
A quem temer?
Ninguém.
Por que?
Porque aqueles que se unem a Deus obtém três grandes privilégios:
onipotência sem poder; embriaguez, sem vinho e vida sem morte....
Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a águadesejasse.
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei.
E há um tempo.
Entendo que sou terra.
Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu.
Pastor e nauta
Olha-me de novo.
Com menos altivez.
E mais atento.
Hilda Hilst

Não Sei

Não sei...

se a vida é curtaou longa demais pra nós,

Mas sei que nada do que vivemostem sentido,

se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

Colo que acolhe,

Braço que envolve,

Palavra que conforta,

Silêncio que respeita,

Alegria que contagia,

Lágrima que corre,

Olhar que acaricia,

Desejo que sacia,

Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que elanão seja nem curta,nem longa demais

Mas que seja intensa,verdadeira, pura...

Enquanto durar"

(Cora Coralina)


Eu sou essa pessoa a quem o vento chama,
a que não se recusa a esse final convite,em máquinas de adeus,
sem tentação de volta.
Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza:
Eu sou essa pessoa a quem o vento leva:
já de horizontes libertada, mas sozinha.
Se a Beleza sonhada é maior que a vivente,dizei-me:
não quereis ou não sabeis ser sonho ?
Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga.
Pelos mundos do vento em meus cílios guardadasvão as medidas que separam os abraços.
Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina:
- Agora és livre, se ainda recordas
Cecília Meireles

All Souls Night







A Noite de todas as almas



Loreena Mckennitt




Fogueiras pontuam as encostas onduladas.
Espectros dançam ao redor e ao redor.
Tambores pulsam para longe os ecos da escuridão,
Movimentando ao som pagão.
Em algum lugar dentro de uma memória oculta,
Imagens flutuam diante dos meus olhos.
Das perfumadas noites das palhas e das fogueiras
E dançando até o próximo nascer do Sol
Eu posso ver luzes na distância,
Tremulantes no manto escuro da noite.
Velas e lanternas estão dançando, dançando,
Uma valsa pela Noite de Todas as Almas.
Figuras de talos de trigo curvam-se nas sombras
Sustentando-se bem alto como as enormes chamas a pulsarem
O cavaleiro verde adentra a mata sagrada
Para indicar por onde o ano velho vai nos deixar.
Eu posso ver luzes na distância,
tremulantes no manto escuro da noite.
Velas e lanternas estão dançando, dançando,
uma valsa pela noite de todas as almas.
Fogueiras pontuam as encostas onduladas.
Espectros dançam ao redor e ao redor.
Tambores pulsam para longe os ecos da escuridão,
E movimentando ao som pagão.
Na ponte por onde passa
O rio que vai-se embora para o mar.
O vento está saturado de milhares de vozes.
Elas caminham próximas à ponte e a mim.
Eu posso ver luzes na distância,
tremulantes no manto escuro da noite.
Velas e lanternas estão dançando, dançando,
uma valsa pela noite de todas as almas.

E por que haverias de querer….



E por que haverias de querer minha alma

Na tua cama?

Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas

Obscenas, porque era assim que gostávamos.

Mas não menti gozo prazer lascívia

Nem omiti que a alma está além, buscando

Aquele Outro.

E te repito: por que haverias

De querer minha alma na tua cama?

Jubila-te da memória de coitos e de acertos.

Ou tenta-me de novo.

Obriga-me.

Hilda Hilst

SER...


Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de que há sempre paz no silêncio.

Tanto quanto possível, sem humilhar-se, mantenha-se em harmonia com todos os que o cercam.

Fale a sua verdade mansa e claramente e ouça a dos outros, mesmo a dos insensatos e a dos ignorantes, eles também têm a sua própria história.

Evite as pessoas agressivas e transtornadas; elas afligem o nosso espírito.

Se você se comparar com os outros você se tornará presunçoso e magoado, pois haverá alguém inferior e superior a você.

Viva intensamente o que já pôde realizar.

Mantenha-se interessado em seu trabalho, ainda que humilde, ele é o que de real existe ao longo de todo o tempo.Seja cauteloso nos negócios, porque o mundo está cheio de astúcias, mas não caia na descrença, a virtude existirá sempre.

Muita gente luta por altos ideais, e em toda à parte a vida está cheia de heroísmo, seja você mesmo, principalmente, não simule afeição, nem seja descrente do amor, porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto, ele é tão perene quanto à relva.

Aceite com carinho o conselho dos mais velhos, mas, também seja compreensivo aos impulsos inovadores da juventude.

Alimente a força do espírito que o protegerá no infortúnio inesperado, mas não se desespere com perigos imaginários.

Muitos temores nascem do cansaço e da solidão e a despeito de uma disciplina rigorosa, seja gentil consigo mesmo.

Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores.

Você merece estar aqui, e mesmo se você não perceber, a terra e o universo vão cumprindo o seu destino...

Portanto esteja em paz com Deus, como quer que você o conceba e quaisquer que sejam os seus trabalhos e aspirações na fatigante jornada pela vida, mantenha-se em paz com sua própria alma.

Acima da falsidade, dos desencantos e agruras o mundo ainda é bonito, seja prudente e faça de tudo para ser feliz,

você é filho do universo...

Meu Amigo





Meu Amigo, não sou o que pareço. O que pareço é apenas uma vestimenta cuidadosamente tecida, que me protege de tuas perguntas e te protege da minha negligência.
Meu Amigo, o Eu em mim mora na casa do silêncio, e lá dentro permanecerá para sempre, despercebido, inalcançável.
Não queria que acreditasses no que digo nem confiasses no que faço – pois minhas palavras são teus próprios pensamentos em articulação e meus feitos, tuas próprias esperanças em ação.
Quando dizes: “O vento sopra do leste”, eu digo: “Sim, sopra mesmo do leste”, pois não queria que soubesses que minha mente não mora no vento, mas no mar.
Não podes compreender meus pensamentos, filhos do mar, nem eu gostaria que compreendesses. Gostaria de estar sozinho no mar.
Quando é dia contigo, meu Amigo, é noite comigo. Contudo, mesmo assim falo do meio-dia que dança sobre os montes e da sombra de púrpura que se insinua através do vale: porque não podes ouvir as canções de minhas trevas nem ver minhas asas batendo contra as estrelas – e eu prefiro que não ouças nem vejas. Gostaria de ficar a sós com a noite.
Quando ascendes a teu Céu, eu desço ao meu Inferno – mesmo então chamas-me através do abismo intransponível, “Meu Amigo, Meu Companheiro, Meu Camarada”, e eu te respondo: “Meu Amigo, Meu Companheiro, Meu Camarada” – porque não gostaria que visses meu Inferno. A chama queimaria teus olhos, e a fumaça encheria tuas narinas. E amo demais meu Inferno para querer que o visites. Prefiro ficar sozinho no Inferno.
Amas a Verdade, e a Beleza, e a Retidão. E eu, por tua causa, digo que é bom e decente amar essas coisas. Mas, no meu coração rio-me de teu amor. Mas não gostaria que visses meu riso. Gostaria de rir sozinho.
Meu Amigo, tu és bom e cauteloso e sábio. Tu és perfeito – e eu também, falo contigo sábia e cautelosamente. E, entretanto, sou louco. Porém mascaro minha loucura. Prefiro ser louco sozinho:
Meu Amigo, tu não és meu Amigo, mas como te farei compreender? Meu caminho não é o teu caminho. Contudo juntos marchamos, de mãos dadas.

(Excertos de “O Louco”)

Alma

Então Meng-tse escreveu o primeiro:



Todas as coisas são pensamentos; toda vida é uma atividade do pensamento.



Todos os seres são apenas fases manifestas do único grande pensamento.



E Deus é Pensamento, e o Pensamento é Deus.



Então Vidyapati escreveu o segundo postulado:O Pensamento eterno é uno; em essência é dois - Inteligência e Força; e quando respiram, nasce um filho; o filho é o Amor.



E assim surge o Deus Trino e Uno a que os homens chamam Pai-Mãe-Filho. Este Deus Trino e Uno é um; mas como a unidade da luz, ele em essência é sete.



E quando o Deus Trino e Uno respira, diante dele aparecem sete Espíritos; são atributos criadores (os Elohim, ou Engenheiros Siderais).



Os homens chamam-nos de deuses menores, e criaram o homem à sua imagem.



Então Gaspar escreveu o terceiro:O homem era um pensamento de Deus, formado à imagem do Setenário, revestido com as substâncias da alma. E seus desejos eram fortes; queria manifestar-se em todos os planos da vida, e dos éteres das formas terrenas fez um corpo para si, e assim desceu ao plano da terra.



Na descida, perdeu seu direito inato; perdeu sua harmonia com Deus e tornou dissonantes todas as notas da vida. Desarmonia e mal são a mesma coisa; portanto, o mal é obra do homem.



Ashbina escreveu o quarto:As sementes não germinam na claridade; não brotam enquanto não encontram a terra e se escondem da luz.O homem era uma semente de vida eterna; mas nos éteres do Deus Trino e Uno a luz era demasiado forte para que sementes brotassem.



E então o homem buscou o solo da vida carnal, e na escuridão da terra encontrou um lugar onde poderia germinar, e crescer.



A semente deitou raízes e cresceu em sua plenitude.



E a árvore da vida humana está subindo do solo das coisas terrenas e, pela lei natural, vai chegando à forma perfeita.



Não há atos sobrenaturais de Deus levando o homem da vida carnal para a bem-aventurança do espírito; ele cresce como cresce a planta (Possibilitando, assim, que quem quiser ficar na escuridão/ignorância permaneça, e quem quiser buscar a luz busque. Por isso o Maya - que mostra e esconde ao mesmo tempo - por isso a dualidade de forças. Cada semente que amadureça no seu tempo certo), e no devido tempo chega à perfeição.



O atributo da alma que dá ao homem possibilidade de elevar-se à vida espiritual é a pureza.Apolo escreveu o quinto:A alma é levada para a luz perfeita por quatro corcéis brancos, que são: Vontade, Fé, Caridade e Amor. O homem tem poder para fazer tudo o que quer fazer.



O conhecimento desse poder é fé; e quando a fé age, a alma começa seu vôo. A fé egoísta não leva à luz. Não há peregrino solitário no caminho da luz.



Os homens só atingem as alturas ajudando outros homens a atingi-las.



O corcel que leva ao caminho da vida espiritual é o Amor; o Amor altruísta e puro.



Matheno escreveu o sexto:O Amor universal de que Apolo acaba de falar-nos é filho da Sabedoria e da Vontade divinas, e Deus mandou-o à terra encarnado para que o homem possa conhecê-lo. O Amor universal de que falam os sábios é Cristo.



O maior mistério de todos os tempos reside na forma como Cristo vive no coração. Cristo não pode viver nas cavernas úmidas das coisas carnais.



É preciso travar as sete batalhas, conquistar as sete vitórias para livrar-se das coisas carnais como o medo, o egoísmo, as emoções e o desejo. Feito isto, o Cristo toma posse da alma; o trabalho está feito, e o homem e Deus são um.E Fílon escreveu o sétimo:Um homem perfeito!



A natureza foi criada para levar até o Deus Trino e Uno um ser assim.



Esta realização é a suprema revelação do mistério da vida.



Quando todas as essências das coisas carnais tiverem sido transmutadas em alma, e todas as essências da alma tiverem retornado ao Santo Alento, e o homem chegar a ser um perfeito Deus, o drama da Criação estará concluído.



E isto é tudo.



E todos os sábios disseram: Amém.











O trecho a seguir foi retirado do livro O Evangelho Aquariano (ele conta a vida de Jesus Cristo através da informação obtida através dos Arquivos Akhásicos), de Levi H. Dowling. Ele nos mostra uma reunião de sábios, no tempo de Jesus, falando sobre a gênese e evolução do que nós somos, de forma magnífica. A era em que estamos entrando é a Era da Preparação, e todas as escolas, governos e ritos de culto devem ser esboçados de maneira simples para que os homens possam compreender. Neste conselho, devemos esculpir o modelo para a Era vindoura, e devemos formular a Gnose do Império da alma, que se baseia em sete postulados. Cada sábio, por seu turno, formulará um postulado; e eles serão a base dos credos humanos enquanto não chegar a Era perfeita.

Será?....o que achas disso?



PRESENÇA


É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,teu perfil exato e que, apenas, levemente, o ventodas horas ponha um frêmito em teus cabelos...É preciso que a tua ausência trescalesutilmente, no ar, a trevo machucado,as folhas de alecrim desde há muito guardadasnão se sabe por quem nalgum móvel antigo...Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janelae respirar-te, azul e luminosa, no ar.É preciso a saudade para eu sentircomo sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevistaque nunca te pareces com o teu retrato...E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.





Nunca fui como todos


Nunca tive muitos amigos


Nunca fui favorita


Nunca fui o que meus pais queriam


Nunca tive alguém que amasse


Mas tive somente a mim


A minha absoluta verdade


Meu verdadeiro pensamento


O meu conforto nas horas de sofrimento


não vivo sozinha porque gosto


e sim porque aprendi a ser só...














Ela Une Todas As Coisas
(Jorge Vercilo)


Ela une todas as coisas
como eu poderia explicar
um doce mistério de rio
com a transparência de um mar ?
Ela une todas as coisas
quantos elementos vão lá ...
sentimento fundo de água

com toda leveza do ar
Ela está em todas as coisas
até no vazio que me dá
quando vejo a tarde cair
e ela não está
Talvez ela saiba de cor
tudo que eu preciso sentir
Pedra preciosa de olhar !
Ela só precisa existir
para me completar
Ela une o mar
com o meu olhar
Ela só precisa existir
pra me completar
Ela une as quatro estações
Une dois caminhos num só
Sempre que eu me vejo perdido
une amigos ao meu redor
Ela está em todas as coisas
até no vazio que me dá
quando vejo a tarde cair
e ela não está
Talvez ela saiba de cor
tudo que eu preciso sentir
Pedra preciosa de olhar !
Ela só precisa existir
para me completar
Ela une o mar
com o meu olhar
Ela só precisa existir
pra me completar
Une o meu viver
com o seu viver
Ela só precisa existir
para me completar

A SÉTIMA ARTE

Somos todos ilusionistas. Criamos nossas próprias ilusões e as compartilhamos com a humanidade. Creio que por osmose!
Dirigimos nosso próprio show , um espetáculo com vários atores, platéia farta. Adoramos aplausos.
Por vezes contracenamos, vezes aplaudimos. Assim dissimulamos nossa vida, como se fosse uma peça teatral e em algumas situações diria até cinematográfica.
Interpretamos o tempo todo, estabelecemos o roteiro, cenários, luzes, atores.
Encenamos diariamente. Acordamos, banho, café, filhos, cachorro, trabalho, marido, sono, ...E surge outro dia, e com ele mais encenações.
Que filme monótono!
A real representação de pensamentos, de épocas, filosofias e estéticas. A fantasia e o terror, ou seja o caos social, a violência, medo, degradação, inseguranças que produzem um mundo interior de ilusões, manifestado em personagens para os quais é impossível a salvação.
O pessimismo romântico, nosso mundo de matas, lagos invernos e primaveras em meio a convenções sociais, neuras, falso moralismo, promiscuidade, puritanismo, este que representa o amor que redime e o que destrói.
Você se enxerga nisso?
O abstracionismo, a representação do não objetivo, sem formas, com linhas e imagens em movimentos inconstantes.
Essa é uma manifestação mais difícil. O surrealismo é a descrição do estado da alma.
Você já mergulhou em sí? Já observou os significados de tua essência interior?
O ostracismo é bem mais confortável e seguro, e nós não queremos insegurança, possibilidades e probabilidades. Queremos um mundo óbvio onde julgamos ter o domínio de tudo e todos. O qual podemos comandar como um bom general, com regras, disciplinas, condicionamentos.
Será que somos realmente o general dessa batalha? Ou um mero soldado, submisso a imposições e programas estabelecidos por outros?
Somos vítimas ou heróis? Lembra o primeiro filme falado: “Acabaram-se os otários”, certamente estão todos acabados...
A tragicomédia da vida, sofisticada, pastelão, política e outras.
Somos o palhaço deste circo a espera de aplausos, mesmo sendo um espetáculo cômico e profundamente triste.
Somos os atores que contracenamos e também os espectadores que assistem ao show sentado à frente da tela com a boca cheia de pipocas.
E naturalmente o grande final, onde a encenação foi perfeita mas irreal, onde os heróis são insuperáveis( pelo menos assim pensaram), os vilões morrem ou enlouquecem e todos viveram felizes para sempre.
A tela escurece e fecham-se as cortinas.
E os atores renascem para um novo espetáculo.

É d'Oxum - Gerônimo




Nessa cidade todo mundo é d'Oxum


Homem, menino, menina, mulher


Toda gente irradia magia


Presente na água doce


Presente na água salgada


Presente na água doce


Presente na água salgada


E toda cidade brilha


Seja tenente ou filho de pescador


Ou importante desembargador


Se der presente é tudo uma coisa só


A força que mora n'água


Não faz distinção de cor


E toda cidade é d'Oxum


É d'Oxum


É d'Oxum


Eu vou navegar


Eu vou navegar nas ondas do mar


Eu vou navegar nas ondas do mar


Iá aguibá


Oxum aurá olu adupé






"Tudo o que eu precisava realmente saber, aprendi no jardim da infância."
Robert Fulghum






A Verdade Não Me Ilude




Composição: Nei Lisboa




De fato é muito interessante e musical



Esse seu novo jazz em fá bemolMúsica é legal



Mas devo também lembrar o aspecto pontual



De que assinou esse contrato pelo qual



Lhe prometemos uma eterna juventude



Em troca de você mostrar um pouco de atitude



Algum perfil total



De um drama social



Qualquer falso ideal de virtude



Algum papel do mal



De inspiração banal



De colegial que não estude



De uma atração fatal



De atleta genital



De amor industrial e rude



De excesso ou falta de saúde



Música é legal



Mas a verdade não me ilude



Quero algo pra fabricar



Algo pra anunciar



A alguém que revender



Alguém pra liquidar



Então veja bem



Tudo o que você tem



Nessa alma torta de poeta



Não importa a mais ninguém



Vá, volte o mês que vem



E lhe oferecemos outro tipo de contrato



Com certeza



Ou como pensa que eu cheguei



Do outro lado dessa mesa



Aqui nesse negócio



Ou você é presa fácil



Ou você é sócio



Uma nova força nascida do sofrimento pulsa nas veias e uma nova compaixão e compreensão está nascendo do sofrimento passado. Um grande desejo de ver os outros sofrerem menos e, se devem sofrer, de ver que o suportam nobremente e saem dele sem muitas cicatrizes. Eu chorei, mas não desejo que os demais chorem, mas se o fizerem, agora sei o que isso significa... Como Krishnamurti agora tenho mais zelo, mais fé (equilíbrio mental), mais simpatia e mais amor, pois há em mim também o corpo, o Ser de Nityananda (irmão morto que psicologicamente na total inexistência de identidade na morte, somos como um imenso rio, uma corrente psicológica, um acumulo de sensações na forma articulada de ações e reações engatilhadas em busca de satisfação vingança e prazer nas magoas e ressentimentos),... Agora eu sei, com uma certeza maior do que nunca, que há realmente beleza na vida, real felicidade que não pode ser destruída por nenhum acontecimento físico (a morte do irmão), uma força maior (a Unidade, a Inteligência, e o Poder na consciência vazia de conteúdo morto) que não pode ser enfraquecida por nenhum acontecimento passageiro e um amor maior que é permanente, imperecível e invencível.




Krishnamurti



O Coveiro


Aconteceu quando estava a enterrar um dos meus Egos. Aproximou-se de mim o coveiro e disse-me : " De todos quantos aqui vêm enterrar os seus defuntos, tu és o único simpático". Respondi : " Fico muito contente com as tuas palavras, mas, peço-te que ne digas : - Por que te inspiro tal simpatia ? "
Ele respondeu : "Porque todos chegam aqui a chorar e saem também a chorar. Tu foste o único que chegaste a rir e te vais embora a sorrir."


(O Louco - Kahlil Gibran - Pág. 33)

A BORBOLETA E O TIGRE

Certo dia uma borboleta apaixonou-se por um tigre, em um bosque de eucaliptos.
Uma borboleta que acabara de sair do casulo, ainda confusa e ofuscada pelas belezas de um mundo, nunca antes visto.
Uma pequena borboleta, simples como qualquer outra. Não era a mais bela de todas, não chamava atenção por isso.
Mas ela tinha uma diferença que encantava a todos, ela queria voar livremente e compartilhar com os animais da floresta as belezas de sua alma.
Porém ela tinha suas asas partidas com a dualidade da nobreza sublime e a deprimente podridão dos seres.
Ela não queria a rasura, buscava o infinito, a profundidade suprema.
E foi nestes vôos, onde a borboleta conheceu um belo tigre, genuíno, feroz, um inimigo natural.
E o encontro foi de uma delicadeza jamais vista no bosque. Ele forte com garras afiadas e ela suave, tranquila, batendo suas pequenas asas.
A borboleta ao lado do tigre, em meio a descobertas de outros vôos e pulos, na dor do amadurecimento e o comungar do verdadeiro e puro sentimento encontrou o aconchego de sua alma no dorso do tigre.
Com ele, a borboleta voava em toda sutileza dos divinos conhecimentos.
Ela o amava profundamente, e ele compartilhava seus sentimentos práticos, por poucas vezes passionais, a colocava em seu dorso e juntos viviam um amor de almas.
Porém em um dia de frio intenso e vento forte a borboleta resolveu partir, sentia-se triste por ter suas asas partidas, precisava encontrar-se, estava sufocada.
Então foi ao bosque e encontrou seu felino pela última vez, disse que precisava voar, o tigre então a olhou profundamente, lágrimas rolaram em seu focinho e a borboleta em silêncio assoprou-as carinhosamente, dizendo que ele era um tolo.
E assim um silêncio tomou conta da floresta.
Quando o mistério é demais, não ousamos desobedecer.
A borboleta voou lentamente como se quisesse que o Tigre a pedisse para ficar, mas ele continuava deitado na mata, quieto, frio, quase imóvel.
A dor da separação, de entender a impossibilidade desse amor, um beijo seria uma fatalidade, e ela continuou voando até não mais enxergar o Tigre.
E assim eles separaram-se definitivamente.
Dizem que o felino ainda visita a mata, deita-se no local onde comungavam e observa as borboletas, todas iguais, mas nenhuma parecida com sua pequena borboleta.
Hoje ele vive com as tigresas, adequadas a seus instintos naturais.
E ela voa livremente, conheceu outros bosques, felinos e outras borboletas.
Por breves instantes a tristeza ainda aparece sutilmente em seus olhos negros, na lembrança a saudade da indulgência do Tigre, do entendimento de suas almas e no coração a certeza de que nada nesta vida é absoluto.
Era uma vez...

Heaven (where True Love Goes)


(Cat Stevens)






The moment you walked inside my door
No momento em que você entrou pela minha porta
I knew that I need not look no more,
Eu soube que eu não precisaria mais procurar
I've seen many other souls before - ah but,
Eu já vi muitas outras almas antes, mas
Heaven must've programmed you
O céu deve ter programado você
The moment you fell inside my dreams
No momento em que você entrou nos meus sonhos
I realized all I had not seen,
Eu percebi tudo aquilo que ainda não tinha visto
I've seen many other souls before - ah but,
Eu já vi muitas outras almas antes, mas
Heaven must've programmed you.
O céu deve ter programado você
Oh will you? Will you? Will you?
Você iria? Você iria? Você iria?
I go where True Love goes,
Eu vou onde está o amor verdadeiro
I go where True Love goes
Eu vou onde está o amor verdadeiro
I go where True Love goes,
Eu vou onde está o amor verdadeiro
I go where True Love goes
Eu vou onde está o amor verdadeiro
And if you walk along and if you lose your way,
E se você estiver sozinha e perder seu caminho
Don't forget the one who gave you this today
Não se esqueça daquele que te deu isso(o amor verdadeiro) hoje
Follow True Love, follow True Love,
Siga o amor verdadeiro, siga o amor verdadeiro!
Follow True Love, follow True Love
Siga o amor verdadeiro, siga o amor verdadeiro
Oh will you? Will you? Will you?
Você iria? Você iria? Você iria?
I go where True Love goes,
Eu vou onde está o amor verdadeiro
I go where True Love goes
Eu vou onde está o amor verdadeiro
I go where True Love goes,
Eu vou onde está o amor verdadeiro
I go where True Love goes
Eu vou onde está o amor verdadeiro
And if a storm should come and if you face away,
acho que é isso: " E se vier uma tempestade e se você enfrentá-la,
That may be the chance for you to be safe
Essa pode ser, talvez, sua chance de estar salva,
And if you make it through the trouble and the pain,
E se você conseguir superar os problemas e as dores
That may be the time for you to know his name
Pode ser esse o tempo de você saber o nome
The moment you walked inside my door
No momento em que você entrou pela minha porta
I knew that I need not look no more,
Eu soube que eu não precisaria mais procurar
I've seen many other souls before - ah but,
Eu já vi muitas outras almas antes, mas
Heaven must've programmed you
O céu deve ter programado você
The moment you fell inside my dreams
No momento em que você entrou nos meus sonhos
I realized all I had not seen,
Eu percebi tudo aquilo que ainda não tinha visto
I've seen many other souls before - ah but,
Eu já vi muitas outras almas antes, mas
Heaven must've programmed you.
O céu deve ter programado você
The moment you said "I will"
No momento em que você disse que seguiria
I knew that this love was real,
Eu soube que esse amor era real
And that my faith was seen - oh
E que minha fidelidade tinha sido vista
Heaven must've programmed you
O céu deve ter programado você
The moment I looked into your eyes
No momento em que eu olhei em seus olhos
I knew that they told no lies,
Eu soube que eles não mentiam para mim
There would be no good byes - Ah
Não haveria despedida
'cause Heaven must've programmed you
Porque o céu deve ter programado você
Você iria? Você iria? Você iria?
I go where True Love goes,
Eu vou onde está o amor verdadeiro
I go where True Love goes
Eu vou onde está o amor verdadeiro
I go where True Love goes,
Eu vou onde está o amor verdadeiro
I go where True Love goes

"Não é necessário sair de casa.Permaneça em sua mesa e ouça.Não apenas ouça, mas espere.Não apenas espere, mas fique sozinho em silêncio.Então o mundo se apresentará desmascarado.Em êxtase, se dobrará sobre os seus pés".

Franz Kafka

Duelo de Gigantes


Hoje há um vazio pavoroso em mim...daqueles que dilaceram a alma...não tenho vontade de chorar, o que é pior...o choro alivia...mas não consigo neste momento...nada aconteceu de diferente, tudo esta em harmonia...menos eu comigo mesma...por fora tudo em paz mas por dentro muito horror...é isso
Marx escrevendo sobre dinheiro é como padre falando sobre sexo.

Paulo Francis

ROSA NEGRA


Dormia e sonhava
o lábio sorria
enfeitiçada
cheia de alegria
cantava, e dançava
num mar de rosas
enlevada nas ondas
paixão,
seducão,
prazer,
exaltacão...
A tua voz dentro
de mim
numa doce ousadia
sedenta
devora-me
matando a sede
de uma eterna loucura.
Numa explosão de pétalas
renascia a rosa negra.

Oração de Dante


Quando a floresta sombria caiu às minhas costas
E todos os caminhos foram cobertos
Quando os sacerdotes do orgulho dizem não ter outro caminho
Eu cultivo a tristeza das pedras

Eu não acreditei por que eu não podia ver
Mesmo que você tenha vindo para mim na noite.
Quando o amanhecer parecia para sempre perdido
Você me mostrou o seu amor na luz das estrelas

Leve seus olhos para o oceano
Leve sua alma para o mar
Quando a noite sombria parecer sem fim
Por favor lembre-se de mim

Então a montanha ergueu-se diante de mim
do profundo poço do desejo
Da fonte do perdão
Além do gelo e do fogo

Ainda que dividamos esse humilde caminho
Sozinho quão frágil é o coração
Dê-me essas asas de lama para voar
para tocar a face das estrelas

sopre vida nesse coração débil
Rasgue a veia mortal do medo
Leve essas esperanças despedaçadas, cavadas pelas lagrimas
Nos elevaremos acima de tais desvelos terrenos


LOREENA MCKENNITT

A PRIMERIA BRISA NA TEMPESTADE DE MINHA VIDA


É assim que me sinto agora. Em paz e livre.
Me sinto muito bem.
Não diria feliz. Aliás não lembro muito da felicidade como algo maior que a dor.
Porém me sinto viva e não tenho mais vontade de não viver. Nunca pensei em me matar, mas pensava em dormir e não acordar mais.
Hoje agradeço a bênção de ter vivido tudo, principalmente meu abismo. E mesmo não sabendo para aonde ir, sei de onde vim, e como renasci.
Um processo lento, doloroso, angustiante, de tempestades contínuas e sem calmarias. Tantas que cheguei a pensar que nada mais tinha importância.
Mas depois da tempestade, a brisa leve em minha vida, a tormenta aparece, mas em curtos períodos. E a leveza já é mais permanente em mim.
Meu coração ainda é algo estranho. Não o entendo bem. Esta diferente, não o sinto mais, como se nada mais o tocasse, nada me sensibiliza.
E a beleza disso tudo está nas experiências vividas e o que aprendemos com elas. A beleza de enxergar o sol depois da tempestade.
De sentir o vento leve e quente depois da brisa fria e densa.
De cheirar o perfume das flores e sentir o balançar das folhas verdes depois das secas caídas ao chão, mortas e sem vida.
Por tudo isso e tudo isso só vive em mim hoje devido as mortes de meu ser.
Existe em mim um sentimento livre de qualquer algema, de qualquer mágoa, liberto em toda essência.
A primeira brisa na tempestade de minha vida - “ àquele nobre espírito que marcha na tempestade e ama com a brisa”.

A NOITE ESCURA DA ALMA


E cai a noite com sua escuridão, a rua deserta, uma chuva fria e constante.
Parece ela, uma mulher que acaba de despertar para a vida.
Sua pele branca em contraste com a negritude de seu íntimo, sua ansiedade altera a respiração e a deixa confusa.
Há muitos sentimentos em seu interior, ela chora por saber, conhecer, enxergar, ouvir e viver, depois de absolutamente nada, de um vazio constante.
Pela primeira vez ela respira um ar suave, abundante e solitário.
Ela consegue ver a beleza de começar a viver a partir do que ela própria descobriu, suas verdades íntimas.
Seus conceitos libertos, não formulados, sem linhas contornos ou deuses.
A vida entra nela com toda sua magnitude, verdade e luz. E ela inspira toda nobreza infinita e abstrata.
E exala um cheiro de manhã de inverno, onde o orvalho toca as folhas verdes e o sol beija a terra.
Seus pensamentos desconexos, despadronizados, melancólicos, dispersos se fundem com a inquietude, e ela tem vontade de gritar, mas não consegue.
Sua voz presa à garganta, ela tenta reagir em vão, pudera ter asas e voar para bem longe.
Ela sai caminhando e a estranheza lhe é companheira, quem são estas pessoas? Não reconhece ninguém. Perdida em uma estrada sem fim, sem saber para onde ir.
Tenta então voltar, mas não há mais a estrada percorrida, pensa em não caminhar, e fica parada, mas o que a cerca tem outro ritmo e a leva para um verde sem casas, pessoas...sem nada.
Só há ela mesma, ela está só e o desespero toma conta de seu ser.
E agora? Não existe mais nada, somente seu eu e vislumbres de liberdade e loucura.
Quem sabe ela enlouqueceu? Porque tudo que era real é ilusão e todo vazio é o presente, toda irrealidade parece sua única verdade.
Como se ela não fizesse mais parte desse mundo, como se tivesse seu mundo próprio. Egoísta e solitária.
Essa melancolia é tudo que possui é o seu tesouro.
De repente cai em um abismo, não tem onde agarrar-se, o desespero a deixa tensa, ela chora compulsivamente, não há onde apoiar-se, quando olha para cima não há luz, para baixo não há fim.
E ela continua caindo, e questiona-se em meio a lágrimas e apatia: Até quando?....até quando?

A MORTE DAS ILUSÕES


Ao longo do tempo minhas ilusões ideológicas foram morrendo, uma a uma.
E esse sepultamento causou uma dor imensa na alma.
Dor de ver todos os sonhos evaporando-se como nuvens. Estes que pareciam tão sólidos e compactos.
Hoje não acredito em nada mais. Não acredito mais nesse partido que me ensinou através de seus líderes e história a votar em projetos e não em pessoas; que fez brilhar meus olhos acreditando na possibilidade de um outro mundo, mais justo igual e solidário;( que baita ingenuidade minha), que fez eu ter convicção em uma revolução do proletariado e levantar uma bandeira com o orgulho e a tranquilidade da seriedade, ética e fidelidade teórica-prática.
Um partido que me tornou sectária e leal a um projeto o qual me identificava, portanto era minha verdade mais pura (e realmente era só minha!)
Este partido que foi minha grande escola de dignidade, humanidade e respeito, em busca da institucionalidade, do poder foi se corrompendo e se perdeu.
Trocou as bandeiras, antes erguidadas entre lágrimas de derrotas ou injustiças por malas cheias de propinas e mensalões; a calça jeans surrada por ternos finíssimos engomados com a podridão da corrupção.
E o mais importante, perdeu a sua essência, exatamente igual a qualquer outro partido.
Por tudo isso, eu não acredito mais.
Não foram só fatos pessoais que me decepcionaram, mas a decadência e a morte de minhas convicções políticas e a vergonha de hoje levantar uma bandeira com o peso da promiscuidade e profanidade política.
E esse peso de minha bandeira, que era vermelha e representava a revolução, hoje é vermelha de vergonha. Onde o amarelo representava a esperança de um novo amanhã, hoje reluz com o ouro da canalhice e o preto que mostrava o luto contra as impunidades e desigualdades, hoje representa a morte de tudo o que foi.
Por tudo isso, eu não acredito mais.

kk

" Oporemos ao mal com um mal maior, e diremos é a Lei? E combateremos o vício com outro vício pior, e diremos é a moral? E lutaremos contra o crime com crimes mais cruéis e diremos "é a justiça". Gibran

A INCOMPLETUDE NA AUSÊNCIA


Assim é o amor quando duas almas estão distantes.
Um vazio, uma falta de algo que não é possível descrever em palavras.
Uma parte separa-se e não há nada que preencha, nada que acalme a angustia.
Que dizer da alma que fez do coração repleto de enigmas e singularidades a mais bela e amarga sensação?
Foi ele quem revelou o sentido da vida e o colocou como um espelho perante suas sombras.
Dias se passam e nada resta de um belo sonho, senão recordações dolorosas que esvoaçam com asas invisíveis em torno dela, provocando angústia em seu coração e lágrimas em seus olhos
E então lá morreram as aspirações, lá fundaram-se as alegrias, lá evaporaram-se os sorrisos e abundaram-se as lágrimas.
O amor que ontem era uma canção melancólica entre os lábios da vida, hoje é um mistério mudo no coração desta floresta.
Aquele coração que foi uma prisão escura em que as tormentas eram fartas.
Não havia nele saída alguma para a luz, até que o amor chegou e abriu-lhe as portas e tudo se iluminou.
E a alma dela então foi dividida com que a eleva as alturas e a faz enxergar a beleza por trás da neblina dos devaneios e com o que ofusca a vista como poeira e a deixa perdida e com medo em meio a intensa escuridão.
Existe um mal em sua alma que a faz amar a solidão e o isolamento. Este a cega, não a deixa enxeragar o sol.
Então ela vê o amor através dos olhos de anjos e a agonia através dos demônios...e ela pensa: - Não é nobre vê anjos e demônios?
O amado que entrou em sua alma com uma intimidade feroz, como se fizesse parte de sua alma a qual vivia perdida na rasura.E encontrou eco na profundidade da compreensão.
A doçura e a amargura, eis os licores que embriagam sua essência.
Porém como o sol dá lugar a lua, a tormenta cede a quietude e assim ela sente-se em paz e está pronta para um novo amanhecer.

* Em momento de intensa dor e crescimento de minha alma

UMA DAS MARIAS


De sua tristeza e de seu sorriso

Sua cabeça mantinha-se sempre erguida, e a chama de Deus estava em seus olhos.
Estava freqüentemente triste, mas sua tristeza era ternura manifestada àqueles que sofriam, e camaradagem dada aos solitários.
Quando sorria, seu sorriso era como a fome daqueles que anseiam pelo desconhecido, e como a poeira de estrelas caindo sobre as pálpebras das crianças. E era como um pedaço de pão na garganta.
Ele era triste, mas de uma tristeza que subia aos lábios e tornava-se um sorriso.
Era como um véu dourado na floresta quando o outono está sobre o mundo. E algumas vezes parecia como o luar nas margens do lago.
Sorria como se seus lábios cantassem numa festa de bodas.
Todavia, era triste com a tristeza do ente alado que não ultrapassa no vôo seu camarada.”

*Extraído do livro “Jesus o Filho do Homem” de Gibran Khalil Gibran.

F. Pessoa

“A borboleta não tem cor e sim a cor que tem cor nas asas da borboleta”.

A Modern Panarion

"Não pode haver nenhuma real libertação do pensamento humano nem expansão dos descobrimentos científicos, enquanto não for reconhecida a existência do espírito, e aceita como um fato a dupla revolução".

Prece Irlandesa

"Que a estrada se abra à sua frente,
Que o vento sopre levemente às suas costas
Que o sol brilhe morno e suave em sua face,
Que a chuva caia de mansinho em seus campos...
E, até que nos encontremos de novo,
Que Deus lhe guarde na palma de Suas mãos. "

N

E agora, o que eu vou fazer?
Se os seus lábios ainda estão molhando os lábios meus?
E as lágrimas não secaram com o sol que fez?

E agora como posso te esquecer?
Se o seu cheiro ainda está no travesseiro?
E o seu cabelo está enrolado no meu peito?

Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo

Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
E te beijar
De novo

E agora, como eu passo sem te ver?
Se o seu nome está gravado no
Meu braço como um selo?
Nossos nomes que tem o "N"
Como um elo

E agora como posso te perder?
Se o teu corpo ainda guarda o
Meu prazer?
E o meu corpo está moldado com o teu?

Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo

Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar

Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo

Espero que o tempo voe
E que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
E te beijar
De novo
De novo...de novo...de novo...


Nando Reis

DE ALMA PARA ALMA




Minha alma amiga, que me mostrou um outro mundo ...



Meu amado amigo, que despertou em mim os mais profundos sentimentos de minha alma....que me falou com palavras jamais proferidas e confidenciou-me seus segredos mais nobres....
A ti meu bem-amado, irmão de sentimentos sublimes, devo a minha liberdade...
Sinto-me feliz ao dividir contigo minha morte e meu renascimento...nem mais, nem menos...simplesmente o que é...
A paz é plena ao teu lado, a ti, somente a ti, confidencio meus anseios de vida e de morte.
Cada momento ao teu lado enobrece meu ser e traz luz à minha alma...
Tuas palavras e ensinamentos ecoam em meu interior e me transporta a mundos distantes...
Tua totalidade é paradoxal e tua verdade é fundamentalmente, taticamente contraditória...ou seja, dia e noite. Tanto que sinto às vezes tua inconsistência.
És de uma beleza rara e singular.
O que tenho para te oferecer além de minhas lágrimas e contradições? Além de meu riso de morte e choro de vida?
Nada meu bem....absolutamente nada...!

A BELEZA DO SIMPLES


Hoje conheci um mestre...alguém que me emocionou e mexeu com sentimentos profundos de minha alma.
Um indivíduo de beleza rara e simples. Um senhor grisalho, magro, fala suave, gentil e sedutor.
Sua profissão tão nobre quanto sua espiritualidade: açougueiro, trabalhador do mercado público e sua aura brilha como seu avental branco.
Tivemos uma conversa interrompida de breves momentos de intensa filosofia oculta. Ele falou de mim como se eu estivesse despida, interiormente num relato fraternal e doce.
Mas isso tudo ficou mais sublime e belo quando Mestre Antonio perguntou-me:
Que disseram de mim?
E eu lhe respondi:
Que és um Mestre!
Ele sorriu mansamente, baixou os olhos e respondeu:
Eu não sou um mestre...não sou nada...
Senti a presença divina naquele momento...e lhe falei:
Então tenho certeza que és um mestre...porque se tivesses me dito que eras, sua pretensão lhe negaria a sabedoria. Somente os sábios tem a humildade de serem absolutamente nada...
Ele então fixou meus olhos e sua face ruboreceu, percebi que escapavam lágrimas de seus olhos brilhantes...
Senti uma energia em meu corpo e ví a eternidade daquele instante sublime...
Nossa conversa prosseguiu por mais alguns minutos e minha vontade era permanecer naquele santuário.
Depois de algumas profecias, mestre Antonio se despediu dizendo:
Minha amiga, quando precisares de um amigo,não se constranja, apareça para conversarmos.
Eu agradeci, beijei sua mão e fui embora.
Acredito em anjos. E este foi um deles que apareceu em minha vida, colorindo um dia de chuva e beleza divina.
Um açougueiro do mercado, simples, um trabalhador que fez de seu ofício um portal de energias positivas, luz e sabedoria.
Como é encantadora a presença de Deus nos indivíduos.

SOLIDÃO

SOLIDÃO não é a falta de gente para conversar,
namorar, passear ou fazer sexo....

ISTO É CARÊNCIA

SOLIDÃO não é o sentimento que experimentamos pela
ausência de entes queridos que não podem mais
voltar.....

ISTO É SAUDADES

SOLIDÃO não é o retiro voluntário que a gente se impõe
às vezes, para realinhar os pensamentos.....

ISTO É EQUILÍBRIO

SOLIDÃO não é o claustro involuntário que o destino
nos impõe compulsóriamente para que revejamos
a nossa vida.......

ISTO É UM PRINCÍPIO DA NATUREZA

SOLIDÃO não é o vazio de gente ao nosso lado.......

ISTO É CIRCUNSTÂNCIA



SOLIDÃO É MUITO MAIS DO QUE ISTO.
SOLIDÃO É QUANDO NOS PERDEMOS DE NÓS MESMOS E PROCURAMOS EM VÃO PELA NOSSA ALMA.....

(CHICO BUARQUE DE HOLANDA)

COR-RESPONDÊNCIA

Remeta-me
os dedos
em vez de cartas de amor
que nunca escreves
que nunca recebo.
Passeiam em mim estas tardes
que parecem repetir
o amor bem feito
que você tinha mania de fazer comigo.
Não sei amigo
se era seu jeito
ou de propósito
mas era bom
sempre bom
e assanhava as tardes
Refaça o verso
que mantinha sempre tesa
a minha rima
firme
confirme
o ardor dessas jorradas
de versos que nos bolinaram os dois
a dois
Pense em mim
e me visite no correio
de pombos onde a gente se confunde
Repito:
Se meta na minha vida
outra vez meta
Remeta.


Elisa Lucinda

MENTIRAS SINCERAS


É exatamente isso...tenho ódio de tuas mentiras sinceras, elas penetram minha alma como lâminas e estraçalham algo do que resta em meu coração.
Bom, lendo um livro uma frase me chamou atenção “ não são as palavras que desmascaram as pessoas, mas seus próprios atos”. É isso.
Assim sinto que realmente a minha verdade é diferente e não creio na tua...destruição total...
Não há lamentação nisso, constato que não existe possibilidades ou probabilidades. É tudo enfim uma grande farsa...dolorosa, fria, dura, sutil...
Penso que esse mundo irreal o qual criamos, longe da civilização, em meio a eucaliptos e doces melodias,...é uma prisão, distante da normalidade..até porque necessitas do lixo para escapar da sensação de sutileza e enfrentar essa humanidade podre...nisso te tornas igual a ela...tão sujo quanto...essa é a decepção. Enquanto eu não quero ser cúmplice disso.
Dia cinzento e frio, como me sinto...há um vazio detestável em mim, um sentimento de solidão, não existe absolutamente ninguém que sinta como eu...me enganei contigo? Não...auto engano
Bom nada de muito diferente do constante e diário.
A humanidade me agride, tu me agrides, minha verdade e pureza me consome.
Aonde está tua nobreza, sutileza e suavidade? Porque não consigo te enxergar senão com minhas lentes equivocadas? Porque vejo tua real imagem? Porque não tenho o melhor de ti? Porque necessitas de um mundo ilusório? Aliás qual é a ilusão? Tua dualidade é tua verdade...e minha verdade é não digerir isto...
Me diz o que estou ainda fazendo nesse mundo de ignorâncias, mentiras...isso fede demais...porque alguém opta por isso? Porque tu és tão sublime e tão promíscuo?
Estou exausta da tua dualidade, me cansa...Não há nada de verdadeiro em tua essência?
Podes me dar somente tua nobreza?
Hoje te dou todo ódio de minha alma...Queres minha verdade?
Portanto aproveite para refletir sobre quanto tu oferece de ti mesmo...pensa e responda, não para mim, para ti mesmo.
Agora morra e renasça...quero te ver em um outro dia...não neste...não estamos pronto para a sutileza da minha alma...

A BORBOLETA AZUL




Sorriso doce, hálito suave...menina dos olhos negros e brilhantes como a noite. I
Irradia inocência, maturidade e sabedoria.
Transborda amor em sua sutileza, cheira ao verde coberto pelo orvalho de uma manhã fria de inverno.
Dança como o vento e voa como uma linda borboleta azul...
Tão suave, tão doce e tão bela... nasceu de mim e hoje vive ao meu lado como uma amiga amada, uma linda e pequena lagartinha.
Cada dia mais dona de si, independente, tentando ser liberta...
Minha filha, luz dos meus olhos, minha verdade sublime, como podes ser tão frágil e tão forte ao mesmo tempo?
Quero que minha borboletinha, ao deixar de ser lagarta, voe por este céu e descubra que pode flutuar com o ar, dançar com as árvores, mergulhar com as águas dos rios e jogar com as estrelinhas do céu.
Voa com a mamãe agora e eu te mostrarei como tudo é muito simples quando somos um com o universo;
Vem minha pequena lagartinha, brinca com as flores, ouve os sussurros das árvores e encante-se com o que realmente é verdadeiro neste mundo;
Minha doce borboletinha azul, vem voar com a mamãe, vamos brincar com as flores, dançar entre elas, pousá-las e voltar a dançar;
Vem comigo, iremos bem perto do céu e daremos as asas aos anjinhos desta floresta, fazendo ciranda;
Vamos até aquela cachoeira, veja como ela transborda vida à todos, sem distinção porque ela entende que somos todos iguais;
Minha linda, agora larga minha asa e ousa, voe, siga teu caminho, sinta com o coração. Canta com o amigo sol a melodia da bem-aventurança;
Caso precises de uma asa amiga, estarei aqui, nestes eucaliptos, observando meu maior feito....tua liberdade;
Voa minha borboletinha e não olhe para trás, para frente ou para os lados...não há nada lá fora, tudo está dentro de ti.
Estarei sempre aqui, sendo a observadora da individualidade de tua alma...te amo...te respeito...quero te ver voar Lígia, nessa beleza rara...
Agora vou deixá-la, segue teu coração ele te conduzirá ao templo sagrado...E viva...isso é liberdade;
Minha querida, sei que deixarás de ser lagarta...quero te ver sempre com esse brilho e doçura ingênua...não os perca meu bem...
Leveza de meus dias;
Eternidade sublime.

NOITE ESCURA

São João da Cruz

Em uma Noite escura,
com ânsias em amores inflamada,
ó ditosa ventura!,
saí sem ser notada.
estando minha casa sossegada.

A ocultas, e segura,
pela secreta escada, disfarçada,
ó ditosa ventura!,
a ocultas, embuçada,
estando minha casa sossegada.

Em uma Noite ditosa,
tão em segredo que ninguém me via,
nem eu nenhuma cousa,
sem outra luz e guia
senão aquela que em meu seio ardia.
Só ela me guiava,
mais certa do que a luz do meio-dia,
adonde me esperava
quem eu mui bem sabia,
em parte onde ninguém aparecia.

Ó Noite que guiaste!,
ó Noite amável mais do que a alvorada!,
ó Noite que juntaste
Amado com amada,
amada nesse Amado transformada!

No meu peito florido,
que inteiro para ele se guardava,
quedou adormecido
do prazer que eu lhe dava,
e a brisa no alto cedro suspirava.

Da torre a brisa amena,
quando eu a seus cabelos revolvia,
com fina mão serena
a meu colo feria,
e todos meus sentidos suspendia.

Quedei-me e me olvidei,
e o rosto reclinei sobre o do Amado:
tudo cessou, me dei,
deixando meu cuidado
por entre as açucenas olvidado.

O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...