Exaustão



 Tem dias em que a sensibilidade está aflorada demais e o mundo com suas ignorâncias, maldades, injustiças e desigualdades invade dolorosamente causando muita tristeza.

 Nestes dias não há consolo na espiritualidade ou na evolução da humanidade. 

São notícias ruins, crianças chorando a ausência do pai, pessoas passando fome pedindo ajuda para comprar comida, famílias destruídas pela covid, um animal de estimação morto, a indignação por tanta injustiça, a ganância o ego, a vaidade, a solidão de uns o vazio, o grito o choro...o nada. 

Nestes dias sombrios de quase escuridão prefiro silenciar. 

Observo de longe estes movimentos. 

Tento sentir até a exaustão. 

Dias difíceis. 

Seguimos! 


Sou fogo, sou vida, sou cor

 Tens muita razão, eu não sou tranquila.

Sou fogo, sou vida, sou cor.

Sou essência,sou prazer, sou rebeldia,sou instinto, sou pele, sou revolução.

Posso ser tudo, menos tranquilidade.


Frida Kahlo

Dos encantamentos


 Aldeia de Foz D'Égua  
Portugal 

Foto Jose Teló Mota

Sobre envelhecer


Então 44 anos ( putz) uns dias me sinto com 15 outros 80. E até hoje não encontrei o equilíbrio e a tranquilidade que, muitos dizem, a idade traz. Provavelmente não amadureci, provavelmente não irei amadurecer. Ainda há inquietude, inconstância, impulsividade e loucura em mim. 

Amo profundamente, tenho muitos amores de conotações distintas, tenho muita fome e sede de mudanças, de lutas, de experiências e sentimentos. E obviamente na mesma proporção tenho ódios e vazios. Tenho o grito e o silêncio. A literatura marginal do velho Buk e a doçura da Cora Coralina. A espiritualidade e a teosofia. O fado e o blues. A bossa nova e a boemia. Uma inconstante forma de ser. Nem melhor nem pior, apenas eu. E amo isso. 


Chegar para agradecer e louvar.

Louvar o ventre que me gerou

O orixá que me tomou,

E a mão da doçura de Oxum que consagrou.

Louvar a água de minha terra

O chão que me sustenta, o palco, o massapê,

A beira do abismo,

O punhal do susto de cada dia.

Agradecer as nuvens que logo são chuva,

Sereniza os sentidos

E ensina a vida a reviver.

Agradecer os amigos que fiz

E que mantém a coragem de gostar de mim, apesar de mim…

Agradecer a alegria das crianças,

As borboletas que brincam em meus quintais, reais ou não.

Agradecer a cada folha, a toda raiz, as pedras majestosas

E as pequeninas como eu, em Aruanda.

Agradecer o sol que raia o dia,

A lua que como o menino Deus espraia luz

E vira os meus sonhos de pernas pro ar.

Agradecer as marés altas

E também aquelas que levam para outros costados todos os males.

Agradecer a tudo que canta no ar,

Dentro do mato sobre o mar,

As vozes que soam de cordas tênues e partem cristais.

Agradecer os senhores que acolhem e aplaudem esse milagre.

Agradecer,

Ter o que agradecer.

Louvar e abraçar!


Maria Bethânia




Insônia...de novo.


Noite longa essa 

De pensamentos aleatórios 

Um pouco de  tédio,  excitação e desejo

As mãos então  afastam a calcinha 

E os dedos percorrem a buceta melada 

Talvez o sono apareça

Um prazer rápido

Bom nos primeiros minutos...até gozar.

Um gozo solitário

Depois um nada...

Um vazio cheio de silêncio e incompletude.



Não te sonho mais

 Sinto falta da beleza 

Da energia especial 

Daquele carinho inesperado

Da sutileza 

Da leveza 

Daquilo que te escapa 

Sinto falta do que já foi 

Não te sonho mais 

Não há mais o talvez 

Não há a dúvida. 

Só ausência. 







Amor Violeta


"O amor me fere é debaixo do braço,

de um vão entre as costelas.

Atinge meu coração é por esta via inclinada.

Eu ponho o amor no pilão com cinza

e grão de roxo e soco. Macero ele,

faço dele cataplasma

e ponho sobre a ferida."


Adélia Prado

Pois eu já velejei em vc e foi bom de doer

 Eu velejava em você

Não finja

Como coisa que não me vê

E foge de mim

A boca tremia

Os olhos ardiam

Oh Doce agonia

Oh Dor de viver

De ver tua imagem

Que eu nunca via

Tua boca molhada

Teu olhar assanhado

Convite pra se perder

Minha alma cansada

 Não faz cerimônia

Você pode entrar sem bater

Pois eu já velejei em você

E foi bom de doer

Mas foi, como sempre, um sonho

Tão longe, risonho

Sinto falta

Queria te ver


Compositores: Eduardo Dussek / Luiz Carlos Goes


O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...