Foi na travessa da palha é uma canção portuguesa, com letra de Gabriel de Oliveira e musicada por Frederico de Brito, interpretada originialmente pela fadista Lucília do Carmo, em gênero de fado, em 1958.
Fado castiço por natureza, emblema do fado lisboeta, o tema é recorrente no fado, ou seja, os dissabores amorosos. Desta feita, tratado de forma mais alegre, relata um competição entre fadistas por um amante gingão, numa das velhas tascas ou tabernas lisboetas, denominada por «taberna de friagem». Entre o repertório de Lucília do Carmo, a par de Maria Madalena, este é o fado mais emblemático da sua carreira como fadista, que a levou, inclusive, ao Brasil.
No filme Fados, do espanhol Carlos Saura, Lucília é recordada por Lila Downs com a sua interpretação deste mesmo fado, com pronúncia vagamente castelhana, colocando a música novamente na roda do fado contemporâneo. O fado foi também interpretado pela fadista Cidália Moreira.
Foi na Travessa da Palha
Que o meu amante, um canalha,
Fez sangrar meu coraçao:
Trazendo ao lado outra amante
Vinha a gingar petulante
Em ar de provocaçao.
Na taberna de friagem
Entre muita fadistagem
Enfrentei os seus rancores,
Porque a mulher que trazia
Com certeza nao valia
Nem sombra do meu amor.
A ver quem tinha mais brio
Cantamos ao desafio
Eu e essa outra qualquer.
Deixei-a perder de vista
Mostrando ser mais fadista
Provando ser mais mulher.
Foi uma cena vivida
De muitas da minha vida
Que nao se esquecem depois,
Só sei que de madrugada
Após a cena acabada
Voltamos para casa os dois.