Amor de índio



No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
De sentir o seu calor e ser tudo





Um Girassol Da Cor Do Seu Cabelo


Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que é tarde demais?
O meu pensamento tem a cor de seu vestido






Socorro



Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada
Compositores: Alice Ruiz Schneronk / Arnaldo Filho

Queda Prohibido

O que é verdadeiramente importante?

Busco dentro de mim a resposta,
e me é tão difícil encontrar.

Falsas idéias invadem minha mente,
Acostumada a mascarar o que não entende,
Atordoado em um mundo de ilusões irreais,
Em que a vaidade, o medo, a riqueza,
A violência, o ódio, a indiferença,
Convertem-se em heróis amados,
Não me admira que exista tanta confusão,
Tanto distanciamento de tudo, tanta desilusão!
Você me pergunta como se pode ser feliz,
Como, entre tantas mentiras, alguém pode conviver,
Cada um é quem tem que responder,
Mas, para mim, aqui, agora e para sempre:
Fica proibido chorar sem aprender,
Acordar um dia sem saber o que fazer,
Ter medo das minhas memórias,
Sentir-me só alguma vez.
Fica proibido não sorrir para os problemas,
Não lutar por aquilo que eu quero,
Abandonar a tudo por sentir medo
Não converter meus sonhos em realidade.
Fica proibido não lhe demonstrar meu amor,
Fazer com que pagues pelas minhas dúvidas e meu mal humor,
Inventar coisas que nunca me aconteceram,
Lembrar-me de você apenas em sua ausência.
Fica proibido abandonar aos meus amigos,
Não tentar compreender o que vivemos,
Chamá-los somente quando eu preciso deles,
Não ver que nós também somos diferentes.
Fica proibido não ser eu mesmo perante as pessoas,
Fingir diante daqueles que não me interessam,
Parecer engraçado, para que se lembrem de mim,
Esquecer todos aqueles que me amam.
Fica proibido não fazer as coisas por mim mesmo,
Não crer no meu deus e encontrar o meu destino,
Temer à vida e à suas punições
Não viver cada dia como se fosse o último suspiro.
Fica proibido sentir saudades sem alegria,
Odiar os momentos que me fizeram amar você,
Simplesmente porque nossos caminhos se desabraçaram,
Esquecer o nosso passado e confundi-lo com nosso presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que suas vidas valem mais que a minha,
não saber que cada um tem seu caminho e destino,
sentir que diante da ausência o mundo se acaba.
É proibido não criar a minha história,
deixar de agradecer à minha família pela minha vida,
não ter tempo para as pessoas que precisam de mim,
não compreender que o que a vida nos dá, ela também nos tira.

Alfredo Cuervo Barrero


De frente pro crime


Sedução


A poesia me pega com sua roda dentada,
me força a escutar imóvel
o seu discurso esdrúxulo.
Me abraça detrás do muro, levanta
a saia pra eu ver, amorosa e doida.
Acontece a má coisa, eu lhe digo,
também sou filho de Deus,
me deixa desesperar.
Ela responde passando
a língua quente em meu pescoço,
fala pau pra me acalmar,
fala pedra, geometria,
se descuida e fica meiga,
aproveito pra me safar.
Eu corro ela corre mais,
eu grito ela grita mais,
sete demônios mais forte.
Me pega a ponta do pé
e vem até na cabeça,
fazendo sulcos profundos.
É de ferro a roda dentada dela







Adélia Prado





O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...