Fotografia: No 54, de Adirek M
Sei-te de cor
Porque deixei meus dedos percorrerem
Teu corpo com ânsia e devoção sem fim
E cada traço teu ficou (e)ternamente gravado
Dentro e fora de mim
Sei-te de cor
Porque a tua voz que ainda embala meus sentidos
Trecho de sinfonia de pardais na madrugada
Permaneceu escrita em pautas musicais
Para ao longo da minha vida sempre ser tocada
Sei-te de cor
Porque o vento que não ensinaram a abraçar
E alimenta a minha nostalgia empurra-me veloz
Para os mais recônditos e distantes lugares
Onde tudo continua a falar de nós
Guardei-te de cor
Para preservar as marcas que me deixaste na memória
Confiar que para além de nós cada momento renascia
E que no livro onde juntos escrevemos a nossa história
A palavra "Fim" jamais se escreveria
Alice de Queiroz

