Gosto quando me deito de bruços

 gosto quando me deito de bruços 

e tu te inclinas, em seguida

e me olhas


gosto porque teu olhar se demora, e é como

quisesses ler os sinais


as pintas

as marcas de nascença


tu, que não te curvas a ninguém

nessa hora tu és homem inteiro curvado

sobre meu corpo


detido


dizendo que em outros tempos

em minhas costas um adivinho teria previsto um

dia de fim


uma cidade tomada


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(reescrita, caminhos; os antigos e os guardados, 2017/21)


Mar Becker 

Sou animal de volúpia

 Sou animal de volúpia 

Fervendo líquidos 

Farejando cheiros 

Decantando desejos 


Sou umidade entre as pernas 

Pelos a perfurar peles 

Sou tato, paladar e olfato 


Sou feita de cera 

Ardendo inteira em pleno verão 

Felina que alisa 

Se esfrega, faz manha 

Lambe, lambe, depois arranha. 


Daniela Fantin


Tuas verdades

Quero todas tuas verdades

Não me satisfaz mais 

Só a  cretina 

Quero a outra 

A  sublime 

Quero todas as belezas 

A leveza 

O segredo mais sujo

O não dito  

O feio 

O incompreendido 

O que nos cala fundo 

Quero também a paz

A voz do silêncio 

O beijo mais demorado 

O abraço apertado com nosso suspiro profundo 

Nosso olhar de entendimento 

Quase terno 

A leitura 

A loucura de Penny Dreadful e a serenidade de  Loreena  Mckennitt

A delicadeza da borboleta 

A fúria do búfalo 

O ronronar da leoa 

O rugir do tigre 

O vômito 

O gozo 

Suor e urina

Sangue 

Arrepio 

A mão suave na garganta 

A língua 

A navalha 

Gemido e grito 

Lágrima e riso 

Quero o êxtase 

A calmaria 

O olho no olho 

Teu sono profundo 

Tua dualidade 

Quero tudo 

Até os ossos. 




O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...