DE ALMA PARA ALMA




Minha alma amiga, que me mostrou um outro mundo ...



Meu amado amigo, que despertou em mim os mais profundos sentimentos de minha alma....que me falou com palavras jamais proferidas e confidenciou-me seus segredos mais nobres....
A ti meu bem-amado, irmão de sentimentos sublimes, devo a minha liberdade...
Sinto-me feliz ao dividir contigo minha morte e meu renascimento...nem mais, nem menos...simplesmente o que é...
A paz é plena ao teu lado, a ti, somente a ti, confidencio meus anseios de vida e de morte.
Cada momento ao teu lado enobrece meu ser e traz luz à minha alma...
Tuas palavras e ensinamentos ecoam em meu interior e me transporta a mundos distantes...
Tua totalidade é paradoxal e tua verdade é fundamentalmente, taticamente contraditória...ou seja, dia e noite. Tanto que sinto às vezes tua inconsistência.
És de uma beleza rara e singular.
O que tenho para te oferecer além de minhas lágrimas e contradições? Além de meu riso de morte e choro de vida?
Nada meu bem....absolutamente nada...!

A BELEZA DO SIMPLES


Hoje conheci um mestre...alguém que me emocionou e mexeu com sentimentos profundos de minha alma.
Um indivíduo de beleza rara e simples. Um senhor grisalho, magro, fala suave, gentil e sedutor.
Sua profissão tão nobre quanto sua espiritualidade: açougueiro, trabalhador do mercado público e sua aura brilha como seu avental branco.
Tivemos uma conversa interrompida de breves momentos de intensa filosofia oculta. Ele falou de mim como se eu estivesse despida, interiormente num relato fraternal e doce.
Mas isso tudo ficou mais sublime e belo quando Mestre Antonio perguntou-me:
Que disseram de mim?
E eu lhe respondi:
Que és um Mestre!
Ele sorriu mansamente, baixou os olhos e respondeu:
Eu não sou um mestre...não sou nada...
Senti a presença divina naquele momento...e lhe falei:
Então tenho certeza que és um mestre...porque se tivesses me dito que eras, sua pretensão lhe negaria a sabedoria. Somente os sábios tem a humildade de serem absolutamente nada...
Ele então fixou meus olhos e sua face ruboreceu, percebi que escapavam lágrimas de seus olhos brilhantes...
Senti uma energia em meu corpo e ví a eternidade daquele instante sublime...
Nossa conversa prosseguiu por mais alguns minutos e minha vontade era permanecer naquele santuário.
Depois de algumas profecias, mestre Antonio se despediu dizendo:
Minha amiga, quando precisares de um amigo,não se constranja, apareça para conversarmos.
Eu agradeci, beijei sua mão e fui embora.
Acredito em anjos. E este foi um deles que apareceu em minha vida, colorindo um dia de chuva e beleza divina.
Um açougueiro do mercado, simples, um trabalhador que fez de seu ofício um portal de energias positivas, luz e sabedoria.
Como é encantadora a presença de Deus nos indivíduos.

SOLIDÃO

SOLIDÃO não é a falta de gente para conversar,
namorar, passear ou fazer sexo....

ISTO É CARÊNCIA

SOLIDÃO não é o sentimento que experimentamos pela
ausência de entes queridos que não podem mais
voltar.....

ISTO É SAUDADES

SOLIDÃO não é o retiro voluntário que a gente se impõe
às vezes, para realinhar os pensamentos.....

ISTO É EQUILÍBRIO

SOLIDÃO não é o claustro involuntário que o destino
nos impõe compulsóriamente para que revejamos
a nossa vida.......

ISTO É UM PRINCÍPIO DA NATUREZA

SOLIDÃO não é o vazio de gente ao nosso lado.......

ISTO É CIRCUNSTÂNCIA



SOLIDÃO É MUITO MAIS DO QUE ISTO.
SOLIDÃO É QUANDO NOS PERDEMOS DE NÓS MESMOS E PROCURAMOS EM VÃO PELA NOSSA ALMA.....

(CHICO BUARQUE DE HOLANDA)

COR-RESPONDÊNCIA

Remeta-me
os dedos
em vez de cartas de amor
que nunca escreves
que nunca recebo.
Passeiam em mim estas tardes
que parecem repetir
o amor bem feito
que você tinha mania de fazer comigo.
Não sei amigo
se era seu jeito
ou de propósito
mas era bom
sempre bom
e assanhava as tardes
Refaça o verso
que mantinha sempre tesa
a minha rima
firme
confirme
o ardor dessas jorradas
de versos que nos bolinaram os dois
a dois
Pense em mim
e me visite no correio
de pombos onde a gente se confunde
Repito:
Se meta na minha vida
outra vez meta
Remeta.


Elisa Lucinda

MENTIRAS SINCERAS


É exatamente isso...tenho ódio de tuas mentiras sinceras, elas penetram minha alma como lâminas e estraçalham algo do que resta em meu coração.
Bom, lendo um livro uma frase me chamou atenção “ não são as palavras que desmascaram as pessoas, mas seus próprios atos”. É isso.
Assim sinto que realmente a minha verdade é diferente e não creio na tua...destruição total...
Não há lamentação nisso, constato que não existe possibilidades ou probabilidades. É tudo enfim uma grande farsa...dolorosa, fria, dura, sutil...
Penso que esse mundo irreal o qual criamos, longe da civilização, em meio a eucaliptos e doces melodias,...é uma prisão, distante da normalidade..até porque necessitas do lixo para escapar da sensação de sutileza e enfrentar essa humanidade podre...nisso te tornas igual a ela...tão sujo quanto...essa é a decepção. Enquanto eu não quero ser cúmplice disso.
Dia cinzento e frio, como me sinto...há um vazio detestável em mim, um sentimento de solidão, não existe absolutamente ninguém que sinta como eu...me enganei contigo? Não...auto engano
Bom nada de muito diferente do constante e diário.
A humanidade me agride, tu me agrides, minha verdade e pureza me consome.
Aonde está tua nobreza, sutileza e suavidade? Porque não consigo te enxergar senão com minhas lentes equivocadas? Porque vejo tua real imagem? Porque não tenho o melhor de ti? Porque necessitas de um mundo ilusório? Aliás qual é a ilusão? Tua dualidade é tua verdade...e minha verdade é não digerir isto...
Me diz o que estou ainda fazendo nesse mundo de ignorâncias, mentiras...isso fede demais...porque alguém opta por isso? Porque tu és tão sublime e tão promíscuo?
Estou exausta da tua dualidade, me cansa...Não há nada de verdadeiro em tua essência?
Podes me dar somente tua nobreza?
Hoje te dou todo ódio de minha alma...Queres minha verdade?
Portanto aproveite para refletir sobre quanto tu oferece de ti mesmo...pensa e responda, não para mim, para ti mesmo.
Agora morra e renasça...quero te ver em um outro dia...não neste...não estamos pronto para a sutileza da minha alma...

A BORBOLETA AZUL




Sorriso doce, hálito suave...menina dos olhos negros e brilhantes como a noite. I
Irradia inocência, maturidade e sabedoria.
Transborda amor em sua sutileza, cheira ao verde coberto pelo orvalho de uma manhã fria de inverno.
Dança como o vento e voa como uma linda borboleta azul...
Tão suave, tão doce e tão bela... nasceu de mim e hoje vive ao meu lado como uma amiga amada, uma linda e pequena lagartinha.
Cada dia mais dona de si, independente, tentando ser liberta...
Minha filha, luz dos meus olhos, minha verdade sublime, como podes ser tão frágil e tão forte ao mesmo tempo?
Quero que minha borboletinha, ao deixar de ser lagarta, voe por este céu e descubra que pode flutuar com o ar, dançar com as árvores, mergulhar com as águas dos rios e jogar com as estrelinhas do céu.
Voa com a mamãe agora e eu te mostrarei como tudo é muito simples quando somos um com o universo;
Vem minha pequena lagartinha, brinca com as flores, ouve os sussurros das árvores e encante-se com o que realmente é verdadeiro neste mundo;
Minha doce borboletinha azul, vem voar com a mamãe, vamos brincar com as flores, dançar entre elas, pousá-las e voltar a dançar;
Vem comigo, iremos bem perto do céu e daremos as asas aos anjinhos desta floresta, fazendo ciranda;
Vamos até aquela cachoeira, veja como ela transborda vida à todos, sem distinção porque ela entende que somos todos iguais;
Minha linda, agora larga minha asa e ousa, voe, siga teu caminho, sinta com o coração. Canta com o amigo sol a melodia da bem-aventurança;
Caso precises de uma asa amiga, estarei aqui, nestes eucaliptos, observando meu maior feito....tua liberdade;
Voa minha borboletinha e não olhe para trás, para frente ou para os lados...não há nada lá fora, tudo está dentro de ti.
Estarei sempre aqui, sendo a observadora da individualidade de tua alma...te amo...te respeito...quero te ver voar Lígia, nessa beleza rara...
Agora vou deixá-la, segue teu coração ele te conduzirá ao templo sagrado...E viva...isso é liberdade;
Minha querida, sei que deixarás de ser lagarta...quero te ver sempre com esse brilho e doçura ingênua...não os perca meu bem...
Leveza de meus dias;
Eternidade sublime.

NOITE ESCURA

São João da Cruz

Em uma Noite escura,
com ânsias em amores inflamada,
ó ditosa ventura!,
saí sem ser notada.
estando minha casa sossegada.

A ocultas, e segura,
pela secreta escada, disfarçada,
ó ditosa ventura!,
a ocultas, embuçada,
estando minha casa sossegada.

Em uma Noite ditosa,
tão em segredo que ninguém me via,
nem eu nenhuma cousa,
sem outra luz e guia
senão aquela que em meu seio ardia.
Só ela me guiava,
mais certa do que a luz do meio-dia,
adonde me esperava
quem eu mui bem sabia,
em parte onde ninguém aparecia.

Ó Noite que guiaste!,
ó Noite amável mais do que a alvorada!,
ó Noite que juntaste
Amado com amada,
amada nesse Amado transformada!

No meu peito florido,
que inteiro para ele se guardava,
quedou adormecido
do prazer que eu lhe dava,
e a brisa no alto cedro suspirava.

Da torre a brisa amena,
quando eu a seus cabelos revolvia,
com fina mão serena
a meu colo feria,
e todos meus sentidos suspendia.

Quedei-me e me olvidei,
e o rosto reclinei sobre o do Amado:
tudo cessou, me dei,
deixando meu cuidado
por entre as açucenas olvidado.

O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...