Me quero tua

 me quero tua na minha escrita

fazer-te colcha 

ao amarrar palavras, 

mas vou, vá, voa, 

que o amor é livre


me quero tua nos fios da vida 

teus meus cabelos, 

meus teus pelos, 

mas vou, vá, voa, 

que o amor é livre 


me quero tua na alma confessa 

quando entra e entre 

se perde e se prende 

em calma e pressa, 

côncavo com convexo, 

esterno com esterno, 

plexo com plexo, 

mas vou, vá, voa 

que o amor é livre


na pele da flor me quero tua 

enquanto o dito se costurar ao gesto, 

enquanto a carne se debruçar a ternura,

me quero tua,

me quero tua, 

mas só enquanto houver ar

para habitarmos céu e fundura, 

porque o amor, 

o amor é livre. 


Daniela Fantin


A moça tecelã


"E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.

Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins.  Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela."

Marina Colasanti

O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...