Ver-te



Ver-te. 
Tocar-te.
 Que fulgor de máscaras. 
Que desenhos e rictus na tua cara 
Como os frisos veementes dos tapetes antigos.
 Que sombrio te tornas se repito 
O sinuoso caminho que persigo: um desejo
Sem dono, um adorar-te vívido mas livre. 
E que escura me faço se abocanhas de mim
 Palavras e resíduos. 
Me vêm fomes
 Agonias de grandes espessuras, embaçadas luas Facas, tempestade. 
Ver-te.
 Tocar-te.
 Cordura.
 Crueldade.



Hilda Hilst



O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...