Se eu fosse direto ao ponto

 se eu fosse direto ao ponto

se não gozasse também

ao transcorrer tuas veias

nos olhos cerrados

nas pernas tremendo


se não estivesse no éter

não molhasse teus olhos

não abrisse teu riso

não apertasse o teu ventre


se eu fosse direto ao ponto

se só pensasse em mim

não louvaria tua pele rubra

teus peitos macios

teu dorso de fada


se não comesse com os olhos

não brincasse de vento

não sonhasse com a luz

não arranhasse o momento


se eu fosse direto ao ponto

e não estivesse em mim

muito antes de estar em ti

e sermos tanto?


Valder Valeirão 

Artista, Designer, poeta, escritor pelotense

Das sutilezas

 Natural ciclos se encerrarem.

Diariamente há mortes 

Assim como há descobertas 

Novos interesses novas sensações 

Importante naturalizar a impermanência dos sentimentos

Não há como dominar (ainda bem) ou determinar o início e o final 

Das emoções 

Do sentir 

Uns se encerram 

Outros iniciam 

Ora, se sentimos com espontaneidade e imprevisão 

Naturalmente deixamos de sentir também

Não há regras ou prazos 

Há início 

Há o fim

Há outros começos 

Sempre há. 

Isso é bom. 

 Aliás muito bom! 

KK


Das perspectivas...

 Sábado quente e atípico

Novos rumos 

Outras perspectivas 

A novidade com pulsações e sentidos acelerados 

Gosto do novo 

Do ousado 

Do talvez 

Quem sabe? 

...


Das contradições...

 TE AMO!


Te amo de uma maneira inexplicável,

de uma forma inconfessável,

de um modo contraditório.

Te amo, com meus estados de ânimo que são muitos

e mudar de humor continuadamente

pelo que você já sabe

o tempo,

a vida,

a morte.

Te amo, com o mundo que não entendo

com as pessoas que não compreendem

com a ambivalência de minha alma

com a incoerência dos meus atos

com a fatalidade do destino

com a conspiração do desejo

com a ambigüidade dos fatos

ainda quando digo que não te amo, te amo

até quando te engano, não te engano

no fundo levo a cabo um plano

para amar-te melhor

Te amo , sem refletir, inconscientemente

irresponsavelmente, espontaneamente

involuntariamente, por instinto

por impulso, irracionalmente

de fato não tenho argumentos lógicos

nem sequer improvisados

para fundamentar este amor que sinto por ti

que surgiu misteriosamente do nada

que não resolveu magicamente nada

e que milagrosamente, pouco a pouco, com pouco e nada,

melhorou o pior de mim.

Te amo

Te amo com um corpo que não pensa

com um coração que não raciocina

com uma cabeça que não coordena.

Te amo incompreensivelmente

sem perguntar-me porque te amo

sem importar-me porque te amo

sem questionar-me porque te amo

Te amo

simplesmente porque te amo...


- Gian Franco Pagliaro

O outro

 Gostava  do que éramos 

 Tesão 

Ansiedade 

Vontade 

Prazer 

O inesperado 

A incerteza 

O  talvez. 

Hoje não gosto.

Isso não está mais funcionando.

Estranheza e constrangimento

Desconforto 

Sou movida por paixões 

Por impulso 

E desejos 

Estou morrendo aos poucos 

Estás também.

Já não acelera o coração,

Já não te sinto tanto em mim 

Não sinto tua falta 

Não gozo pensando em ti 

Estranhamente 

Tanto faz.

Tudo bem. 

Nada é tão cabal!

Ou talvez seja

Em mim.

Mais uma morte 

Já me habituei.

Amanhã renasço 

Outro dia 

Outra vontade 

Outro desejo 

O outro. 







Das mortes...


Primeiro foi a loucura e o desejo 

O carinho e afeto

A ansiedade e a vontade 

Perdemos o foco 

Os sentidos e limites 

Queríamos  tudo 

Podíamos pouco 

Nossas limitações e distância 

Mas tínhamos a fome a sede 

O tesão 

O sonho 

Hoje perdemos tudo!

Não resta mais nada 

Estragamos tudo!

Há só estranheza quando te sei 

Sinto muito 

Broxei. 

Perdi o tesão. 

Estás morto. 

Seguimos! 











EDUCAÇÃO SENTIMENTAL


"Põe devagar os dedos 

devagar...


e sobe devagar 

até ao cimo


o suco lento que sentes

escorregar

é o suor das grutas

o seu vinho


Contorna o poço 

aí tens de parar

descer, talvez

tomar outro caminho...


Mas põe os dedos e sobe

devagar...


Não tenhas medo

daquilo que te ensino."


Maria Teresa Horta

Faminta II



 Sentada no sofá, em frente a TV sem prestar atenção no jornal, senti um calor percorrer meu corpo em um arrepio intenso.

Em alguns minutos estava tomada por uma fome...uma vontade de ser fodida descontroladamente. 
Meus pensamentos desconexos, respiração ofegante, o calor...o desejo 
 Senti vontade de abrir um pouco as pernas, estava de vestido curto, ficou fácil deixar a imaginação fluir. 
Minha calcinha levemente molhada e a buceta pulsando lentamente
Coloquei um dedo e percebi como estava quente e melada 
 Levei até a boca 
Chupei com vontade 
Gosto do meu gosto
Queria ser fodida naquele instante
Precisava 
Meu corpo desejava ardentemente ser penetrada com muita força e fundo
Ainda não entendia o tesão aleatório 
Mas minha mente não se concentrava em mais nada 
Levantei e fui até a janela 
Olhei e percebi  algumas pessoas transitando, sem máscara obviamente, e desisti de tentar sair e encontrar alguém para trepar. 
Não era seguro. Também não seria transar com qualquer um 
Enfim...
Voltei para o sofá. 
O  tesão ainda presente. 
A buceta latejava com muita vontade
Coloquei três dedos que ficaram molhados na mesma hora. 
Minha buceta os  sugava com muita força  
Não conseguia parar 
Precisava de um pau dentro de mim 
Só pensava em ser fodida 
Sem assuntinho ou amorzinho 
Sem carinho
Queria a penetração 
Necessito sempre dela
Meu tesão não passa enquanto não sou fodida plenamente
Fico de mau humor 
Comecei a gemer alto, 
Vizinhos no apto de baixo conversando 
Minha respiração e gemidos cada vez mais intensos 
a cada estocada 
Até gozar com um gemido alto e longo  jorrando um líquido branco espesso e abundantemente
Então um silêncio aqui e no apto de baixo 
Certamente escutaram meus gemidos que geralmente são discretos 
Não desta vez. 
Levantei,  o gozo escorreu pelas coxas,
O piso manchado 
Meus pés melados
Fui até o banheiro, tomei um banho 
Enfim uma quietude
Coloquei uma camiseta. Minha boca estava seca, servi um suco e escolhi Gibran Khalil para uma leitura
Sento no sofá 
E novamente o calor, a buceta faminta
Calcinha melada
E a fome de novo
Quero mais.
Eu sempre quero mais. 
Voltei para janela
...



Memória da pele



 ..."Não sou eu finjo que não sei, não sou eu

Sonho bocas que murmuram

Tranço em pernas que procuram enfim

Não sou eu sofro e sei

Quem se lembra de você em mim

Eu sei, eu sei

Bate é na memória da minha pele

Bate é no sangue que bombeia

Na minha veia

Bate é no champanhe que borbulhava

Na sua taça e que borbulha agora na taça da minha cabeça

Eu já esqueci você, tento crer

Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer

Sugo sempre

Busco sempre a sonhar em vão

Cor vermelha, carne da sua boca, coração


Compositores: Joao Bosco De Freitas Mucci / Wally Salomao


Por Maria Bethânia

 "Não mastigue o que eu vou comer! 

Não junte o que não espalhei! 

Não me negue o que não pedi!



O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...