MAR


De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

Cheiro a terra as árvores e o vento
Que a Primavera enche de perfumes
Mas neles só quero e só procuro
A selvagem exalação das ondas
Subindo para os astros como um grito puro.

Sophia de Mello Breyner Andresen





O MAR DOS MEUS OLHOS


Culpa do olhar...


Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens…
Há mulheres que são maré em noites de tardes…
e calma

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) 

Desde que o samba é samba

A tristeza é senhora
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite, a chuva que cai lá fora
Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece
No quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora
A tristeza é senhora
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite e a chuva que cai lá fora
Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece
No quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora
O samba ainda vai nascer
O samba ainda não chegou
O samba não vai morrer
Veja o dia ainda não raiou
O samba é pai do prazer
O samba é filho da dor
O grande poder transformador
A tristeza é senhora
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite e a chuva que cai lá fora
Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece
No quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora
O samba ainda vai nascer
O samba ainda não chegou
O samba não vai morrer
Veja o dia ainda não raiou
O samba é pai do prazer
O samba é filho da dor
O grande poder transformador
A tristeza é senhora
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite e a chuva que cai lá fora
Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece
No quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora

Compositor Caetano Veloso

Sem mais...


A noite escura da alma


Eu lembro


"Nós viajamos pelo universo
por milhares de anos,
as vezes juntos
e outros separadamente.

Nós choramos a nossa ausência
companheiros um do outro, escondidos atrás do Sol de alguma galáxia distante.

Nós rimos juntos pendurados
na cauda de um cometa.
E nós nos amávamos escondidos
dentro de alguma nebulosa.

Mil vezes nos despedimos
e outras mil nos encontramos novamente
e tantas vezes passamos
próximos um do outro sem nos reconhecer.

Talvez esta seja nossa
última viagem...
Eu estou aqui de pé
neste pequeno planeta esperando o Universo me trazer você!

Vou te reconhecer, eu lembro...
Sua luz, sua fragrância,
Eu lembro da sua essência que
também é minha.

Talvez nos encontremos novamente
neste plano ou talvez seja
na viagem de volta...
para a nossa casa....

Vou reconhecê-lo com a  sincronicidade de nossas almas.
Seremos eternos para sempre, sem tempo ou espaço! 

Sede vulneráveis para sempre.

E quando a curva do contágio descer
E os governos anunciem que 'nós conseguimos'
Por favor, por favor.
Não voltem à imortalidade.
Não voltem a vestir o fato de invencíveis.
De inabaláveis
De insuportáveis
Não se esqueça do que você sentiu
Por favor, por favor.
Sede vulneráveis para sempre.
Continuem cantando nas varandas
Continuem aplaudindo as senhoras da limpeza
Para as caixas, para as vossas mães.
Não se esqueçam que são apenas humanos
Que vocês são frágeis
Que vocês são finitos
E cidade a vida, o planeta
E a todos os seres do mundo
Até o dia da vossa morte
Como se tivessem aprendido alguma coisa ".
Juls Heme Aqui.

Amor que liberta a dor

"Vem sem receio: eu te recebo
Como um dom dos deuses do deserto
Que decretaram minha trégua e permitiram
Que o mel de teus olhos me invadisse.
Quero que o meu amor te faça livre,
Que meus dedos não te prendam
Mas contornem teu raro perfil
Como lábios tocam um anel sagrado.
Quero que o meu amor te seja enfeite
E conforto, porto de partida para a fundação
Do teu reino, em que a sombra
Seja abrigo e ilha.
Quero que o meu amor te seja leve
Como se dançasse numa praia uma menina."

Lia Luft

Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente

Fotografia/fio da navalha
“Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que tinha a me ensinar, em vez de descobrir à hora da morte que não tinha vivido. Não desejava viver o que não era vida, a vida sendo tão maravilhosa, nem desejava praticar a resignação, a menos que fosse de todo necessária. Queria viver em profundidade e sugar todo o tutano da vida, viver tão vigorosa e espartanamente a ponto de pôr em debandada tudo que não fosse vida, deixando o espaço limpo e raso; encurralá-la num beco sem saída, reduzindo-a a seus elementos mais primários e, se esta se revelasse mesquinha, adentrar-me então em sua total e genuína mesquinhez e proclamá-la ao mundo; e se fosse sublime, sabê-lo por experiência (…)”
Henry David Thoreau, em ‘Walden ou a Vida nos Bosques’

Dostoiévski


Artista Jorge Gouvea

"Gostaria de penetrar em seus segredos. Gostaria que ela me procurasse e dissesse: "Tu bem sabes que eu te amo." Por outro lado, se esta loucura é irrealizável, então... O que desejar?"

O Jogador - Fiódor Dostoiévski

Essa mulher


''Essa mulher é uma casa secreta.
Em seus cantos, guarda vozes e esconde fantasmas.
Quem entra nela, dizem, não sai nunca mais.''

Eduardo Galeano

Eu gosto de ser mar em calma

"Eu gosto de ser mar em calma, com mistério e profundidade... depois eu me transformo em tempestade e relâmpago.
Alguns dias, eu sou sol, e outras vezes, a lua em um céu estrelado.
Eu sou o fogo do inferno e o frio do inverno que congela até os ossos.
Eu tenho andado livre como o vento e eu já caí em pedaços qual folhas murchas do outono.
Eu recolho cada parte de mim do chão e volto a me amar com muito cuidado..
Depois, floresço e volto a ser a tranquilidade do campo...
Assim eu nasci, assim eu cresci, assim me aceito, assim me quero..."

K. 

As sete máscaras

Arte: Ray Donley

"Você usa uma máscara há tanto tempo que esquece quem você era por baixo dela."

Alan Moore

O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...