Eu te invento
como a luz inventa o dia
rainha das tempestades
cigana nômade dos desertos
nave interestelar
eu te invento
além do tempo e espaço
alquimista da razão
senhora dos ventos
a louca das loucas
eu te invento
feito um poema
que trafega dia a dia
na noite alta das esperas
transbordando emoções
eu te invento
como antídoto inefável
sabor de pele arrepiada
sons intraduzíveis
e olhos de pura sedução
eu te invento
por desejo ou loucura
em breves doses de tormento
e outras tantas de prazeres
que não ouso revelar
eu te invento
como a luz inventa o dia
e quando tudo escurecer
ainda assim, perdido
eu posso te reinventar.
Valder Valeirão
