Modo de amar
O tédio
A rotina torna tudo desinteressante.
Bom dia, te amo, bom trabalho, te cuida... automaticamente.
A noite o sexo igual e limpo.
Sem putaria ou surpresas.
Enfim naturalmente depois de alguns anos dividindo o mesmo espaço já é previsível.
Qualquer poesia ou música bastam para despertar um outro afeto.
Afinal somos feitos de afetos.
A carência é um elemento odioso.
Cria emoções
Intensifica sensações
Distorce realidades
E quando tudo passa
Quando voltamos a realidade
Percebemos o quanto de energia desnecessária foi direcionada inultilmente.
Carência?
Tédio?
Inquietude?
Não sei bem
Mas sei que algo mudou...
E gosto disso.
Gosto de não pertencer a nada.
Gosto desse ar puro
Sem pressões
Sem direcionamento
Sem amanhã ou ontem
Sem necessidades ou projeções
O imprevisível sem face
Sem voz
Sem corpo
Sem alma
O silêncio.
Nada menos.
Quero teu sexo
Tua fome
Todas tuas vontades
Mas também quero o que te cala
Tua profundidade
Sensibilidade
Generosidade
Delicadeza
Refinamento
Quero tudo.
Nada menos.
30 minutos
Fui me despedir
Eram só 30 minutos para tudo o que poderia ser dito e feito
Estavas arrumando teu material de trabalho
Te abracei
Tu sussurrou algo em meu ouvido
Fiquei arrepiada
Nos beijamos por um bom tempo
Senti o coração acelerado
Tua respiração ofegante
Nossas lágrimas discretas
Depois um breve silêncio
Olhares
Saí caminhando
Sem olhar para trás
Ouvi tua voz me chamando
Te olhei
E tuas últimas palavras
"Ficarão 20 minutos ainda do que falta te falar e te beijar".
Novamente um silêncio inquietante
Eu parti
Tu partiu
Seguimos.
Antecipação
Entreabro as minhas
coxas
no início dos teus beijos
imagino as tuas
pernas
guiadas pelo desejo
oiço baixo o teu
gemido
calado pelos meus dentes
imagino a tua boca
rasgada
sobre o meu ventre
Maria Teresa Horta
Canto o teu corpo
Canto o teu corpo
passados estes anos:
o prazer que me
acendes
o espasmo que semeias
A seara das pernas
o peito
os teus dentes
a língua que afago
e as ancas estreitas
Canto a tua
febre
fechada no meu ventre
Canto o teu
grito
e canto as tuas veias
Canto o teu gemido
teu hálito
teus dedos
Canto o teu corpo
amor que me encandeia
Maria Teresa Horta
Teu prazer
Saudade do teu cheiro
Do teu gosto
Quente
Abundante
Da tua mão firme em mim
Percorrendo meu corpo
cabelos
boca
Da tua língua em meu pescoço
E seios
Saudade de te sentir em mim
Com tua força e profundidade
Gemendo de tesão
E sentir teu prazer
No arrepio do teu corpo
No teu suor
E respiração
Até não saber onde sou eu
Onde és tu.
Das afetividades
E no percurso tu encontra alguém simples
Sem neuras, vírgulas e talvez
Naturalmente livre
Sem algemas
Sem poréns
Só o peito aberto
A disposição para o hoje
Permitindo ser
Viver e sentir
Afetividade
Desejo
E loucura
Envolvimento
Liberdade
E o que mais amo... naturalmente.
Das conexões
Por um instante
Inquietude e silêncio.
Aqui não uso máscaras.
Por um instante posso respirar
Só por um instante.
O silêncio das almas
Eu não quero ser o destino Prefiro ser o caminho. Eu não quero ser despedida Prefiro ser reencontro. Eu não quero ser ponto final Pref...
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Foto: Luis Gaspar Vem dormir nos meus sonos enquanto se acalma o mar. Sinto assim um pedaço do...








