Modo de amar


"...toma  

Morde ...

Lambe...

...Avidamente amor
com desespero e calma. 

...Ferozmente amor
com torpidez e raiva. 

...Suavemente amor

agora velozmente...


Maria Teresa Horta




 

O tédio


A rotina torna tudo desinteressante.

Bom dia,  te amo, bom trabalho, te cuida... automaticamente. 

A noite o sexo igual e limpo. 

Sem putaria ou surpresas.

Enfim naturalmente depois de alguns anos dividindo o mesmo espaço já é previsível. 

Qualquer poesia ou música bastam  para despertar um outro afeto. 

Afinal somos feitos de afetos. 

A carência é um elemento odioso. 

Cria emoções 

Intensifica sensações 

Distorce realidades 

E quando tudo passa 

Quando voltamos a realidade 

Percebemos o quanto de energia desnecessária  foi direcionada inultilmente. 

Carência?

Tédio?

Inquietude?

Não sei bem 

Mas sei que algo mudou...

E gosto disso. 

Gosto de não pertencer a nada. 

Gosto desse ar puro 

Sem pressões 

Sem direcionamento

Sem amanhã ou ontem 

Sem necessidades ou projeções

O imprevisível sem face 

Sem voz 

Sem corpo 

Sem alma 

O silêncio. 









30 minutos

 Fui me despedir

Eram  só  30 minutos para tudo o que poderia ser dito e feito 

Estavas arrumando teu material de trabalho

Te abracei 

Tu sussurrou algo em meu ouvido 

Fiquei arrepiada 

Nos beijamos por um bom tempo 

Senti o coração acelerado 

 Tua respiração ofegante 

Nossas lágrimas discretas 

Depois um breve silêncio

Olhares 

 Saí caminhando

  Sem olhar para trás

Ouvi tua voz me chamando

Te olhei 

E tuas últimas palavras 

"Ficarão  20 minutos ainda do que falta te falar e te  beijar".

Novamente um silêncio inquietante

 Eu parti

Tu partiu

Seguimos.








Antecipação

 Entreabro as minhas

coxas

no início dos teus beijos

imagino as tuas

pernas

guiadas pelo desejo

oiço baixo o teu

gemido

calado pelos meus dentes

imagino a tua boca

rasgada

sobre o meu ventre


Maria Teresa Horta

Canto o teu corpo

 Canto o teu corpo

passados estes anos:

o prazer que me

acendes

o espasmo que semeias

A seara das pernas

o peito

os teus dentes

a língua que afago

e as ancas estreitas

Canto a tua

febre

fechada no meu ventre

Canto o teu

grito

e canto as tuas veias

Canto o teu gemido

teu hálito

teus dedos

Canto o teu corpo

amor que me encandeia


Maria Teresa Horta

Teu prazer

 



Saudade do teu cheiro

Do teu gosto 

Quente 

Abundante 

Da tua mão firme em mim 

Percorrendo meu corpo 

 cabelos 

 boca 

Da tua língua em meu pescoço 

E seios 

Saudade de te sentir em mim 

Com tua força e profundidade 

Gemendo de tesão 

E sentir  teu prazer 

No arrepio do teu corpo 

No teu suor 

E respiração 

Até não saber onde sou eu 

Onde és tu. 














Das afetividades

 


E no percurso tu encontra alguém simples 

Sem neuras, vírgulas e talvez 

Naturalmente livre 

Sem algemas 

Sem poréns

Só o peito aberto

A disposição para o hoje 

Permitindo ser 

Viver e sentir 

Afetividade 

Desejo 

E loucura 

Envolvimento 

Liberdade 

E o que mais amo... naturalmente. 





Das conexões




Quando conheço alguém a primeira impressão que tenho não é referente ao físico. 
Não me chama atenção se tem olhos verdes, alto ou baixo, boca ou cabelos 
Preciso ter uma conexão. 
A energia seja ela relativa a vibração por afinidades ou não.
Não vibro só em positividade. 
Me conecto com a melancolia, com a solidão, dores e outras profundidades. Não tão bonitas. 
Talvez esteja aí a explicação de muitas relações  aleatórias, platônicas e um tanto tóxicas dentro de uma visão básica. 
Não preciso de um corpo para sentir  
Para tocar ou ser tocada 
Gosto de ultrapassar limites e sentir com tudo que há em mim
Com todos  sentidos. 
Quero sempre mais 
Até a exaustão 
Até não existir mais conexão
Até inesperadamente ter contato com outra energia 
E o ciclo recomeça
Outro afeto 
Outro carinho 
Outro! 




Permitir-se

Uma mulher francesa com sua baguete e seis garrafas de vinho, Paris, França, 1945.



 

Por um instante


 

Aqui estão alguns sonhos, vontades e verdades.

Inquietude e silêncio.

 Aqui não uso máscaras.

Por um instante posso respirar 

Só por um instante.



O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...