Duelo de Gigantes


Hoje há um vazio pavoroso em mim...daqueles que dilaceram a alma...não tenho vontade de chorar, o que é pior...o choro alivia...mas não consigo neste momento...nada aconteceu de diferente, tudo esta em harmonia...menos eu comigo mesma...por fora tudo em paz mas por dentro muito horror...é isso
Marx escrevendo sobre dinheiro é como padre falando sobre sexo.

Paulo Francis

ROSA NEGRA


Dormia e sonhava
o lábio sorria
enfeitiçada
cheia de alegria
cantava, e dançava
num mar de rosas
enlevada nas ondas
paixão,
seducão,
prazer,
exaltacão...
A tua voz dentro
de mim
numa doce ousadia
sedenta
devora-me
matando a sede
de uma eterna loucura.
Numa explosão de pétalas
renascia a rosa negra.

Oração de Dante


Quando a floresta sombria caiu às minhas costas
E todos os caminhos foram cobertos
Quando os sacerdotes do orgulho dizem não ter outro caminho
Eu cultivo a tristeza das pedras

Eu não acreditei por que eu não podia ver
Mesmo que você tenha vindo para mim na noite.
Quando o amanhecer parecia para sempre perdido
Você me mostrou o seu amor na luz das estrelas

Leve seus olhos para o oceano
Leve sua alma para o mar
Quando a noite sombria parecer sem fim
Por favor lembre-se de mim

Então a montanha ergueu-se diante de mim
do profundo poço do desejo
Da fonte do perdão
Além do gelo e do fogo

Ainda que dividamos esse humilde caminho
Sozinho quão frágil é o coração
Dê-me essas asas de lama para voar
para tocar a face das estrelas

sopre vida nesse coração débil
Rasgue a veia mortal do medo
Leve essas esperanças despedaçadas, cavadas pelas lagrimas
Nos elevaremos acima de tais desvelos terrenos


LOREENA MCKENNITT

A PRIMERIA BRISA NA TEMPESTADE DE MINHA VIDA


É assim que me sinto agora. Em paz e livre.
Me sinto muito bem.
Não diria feliz. Aliás não lembro muito da felicidade como algo maior que a dor.
Porém me sinto viva e não tenho mais vontade de não viver. Nunca pensei em me matar, mas pensava em dormir e não acordar mais.
Hoje agradeço a bênção de ter vivido tudo, principalmente meu abismo. E mesmo não sabendo para aonde ir, sei de onde vim, e como renasci.
Um processo lento, doloroso, angustiante, de tempestades contínuas e sem calmarias. Tantas que cheguei a pensar que nada mais tinha importância.
Mas depois da tempestade, a brisa leve em minha vida, a tormenta aparece, mas em curtos períodos. E a leveza já é mais permanente em mim.
Meu coração ainda é algo estranho. Não o entendo bem. Esta diferente, não o sinto mais, como se nada mais o tocasse, nada me sensibiliza.
E a beleza disso tudo está nas experiências vividas e o que aprendemos com elas. A beleza de enxergar o sol depois da tempestade.
De sentir o vento leve e quente depois da brisa fria e densa.
De cheirar o perfume das flores e sentir o balançar das folhas verdes depois das secas caídas ao chão, mortas e sem vida.
Por tudo isso e tudo isso só vive em mim hoje devido as mortes de meu ser.
Existe em mim um sentimento livre de qualquer algema, de qualquer mágoa, liberto em toda essência.
A primeira brisa na tempestade de minha vida - “ àquele nobre espírito que marcha na tempestade e ama com a brisa”.

A NOITE ESCURA DA ALMA


E cai a noite com sua escuridão, a rua deserta, uma chuva fria e constante.
Parece ela, uma mulher que acaba de despertar para a vida.
Sua pele branca em contraste com a negritude de seu íntimo, sua ansiedade altera a respiração e a deixa confusa.
Há muitos sentimentos em seu interior, ela chora por saber, conhecer, enxergar, ouvir e viver, depois de absolutamente nada, de um vazio constante.
Pela primeira vez ela respira um ar suave, abundante e solitário.
Ela consegue ver a beleza de começar a viver a partir do que ela própria descobriu, suas verdades íntimas.
Seus conceitos libertos, não formulados, sem linhas contornos ou deuses.
A vida entra nela com toda sua magnitude, verdade e luz. E ela inspira toda nobreza infinita e abstrata.
E exala um cheiro de manhã de inverno, onde o orvalho toca as folhas verdes e o sol beija a terra.
Seus pensamentos desconexos, despadronizados, melancólicos, dispersos se fundem com a inquietude, e ela tem vontade de gritar, mas não consegue.
Sua voz presa à garganta, ela tenta reagir em vão, pudera ter asas e voar para bem longe.
Ela sai caminhando e a estranheza lhe é companheira, quem são estas pessoas? Não reconhece ninguém. Perdida em uma estrada sem fim, sem saber para onde ir.
Tenta então voltar, mas não há mais a estrada percorrida, pensa em não caminhar, e fica parada, mas o que a cerca tem outro ritmo e a leva para um verde sem casas, pessoas...sem nada.
Só há ela mesma, ela está só e o desespero toma conta de seu ser.
E agora? Não existe mais nada, somente seu eu e vislumbres de liberdade e loucura.
Quem sabe ela enlouqueceu? Porque tudo que era real é ilusão e todo vazio é o presente, toda irrealidade parece sua única verdade.
Como se ela não fizesse mais parte desse mundo, como se tivesse seu mundo próprio. Egoísta e solitária.
Essa melancolia é tudo que possui é o seu tesouro.
De repente cai em um abismo, não tem onde agarrar-se, o desespero a deixa tensa, ela chora compulsivamente, não há onde apoiar-se, quando olha para cima não há luz, para baixo não há fim.
E ela continua caindo, e questiona-se em meio a lágrimas e apatia: Até quando?....até quando?

A MORTE DAS ILUSÕES


Ao longo do tempo minhas ilusões ideológicas foram morrendo, uma a uma.
E esse sepultamento causou uma dor imensa na alma.
Dor de ver todos os sonhos evaporando-se como nuvens. Estes que pareciam tão sólidos e compactos.
Hoje não acredito em nada mais. Não acredito mais nesse partido que me ensinou através de seus líderes e história a votar em projetos e não em pessoas; que fez brilhar meus olhos acreditando na possibilidade de um outro mundo, mais justo igual e solidário;( que baita ingenuidade minha), que fez eu ter convicção em uma revolução do proletariado e levantar uma bandeira com o orgulho e a tranquilidade da seriedade, ética e fidelidade teórica-prática.
Um partido que me tornou sectária e leal a um projeto o qual me identificava, portanto era minha verdade mais pura (e realmente era só minha!)
Este partido que foi minha grande escola de dignidade, humanidade e respeito, em busca da institucionalidade, do poder foi se corrompendo e se perdeu.
Trocou as bandeiras, antes erguidadas entre lágrimas de derrotas ou injustiças por malas cheias de propinas e mensalões; a calça jeans surrada por ternos finíssimos engomados com a podridão da corrupção.
E o mais importante, perdeu a sua essência, exatamente igual a qualquer outro partido.
Por tudo isso, eu não acredito mais.
Não foram só fatos pessoais que me decepcionaram, mas a decadência e a morte de minhas convicções políticas e a vergonha de hoje levantar uma bandeira com o peso da promiscuidade e profanidade política.
E esse peso de minha bandeira, que era vermelha e representava a revolução, hoje é vermelha de vergonha. Onde o amarelo representava a esperança de um novo amanhã, hoje reluz com o ouro da canalhice e o preto que mostrava o luto contra as impunidades e desigualdades, hoje representa a morte de tudo o que foi.
Por tudo isso, eu não acredito mais.

kk

" Oporemos ao mal com um mal maior, e diremos é a Lei? E combateremos o vício com outro vício pior, e diremos é a moral? E lutaremos contra o crime com crimes mais cruéis e diremos "é a justiça". Gibran

A INCOMPLETUDE NA AUSÊNCIA


Assim é o amor quando duas almas estão distantes.
Um vazio, uma falta de algo que não é possível descrever em palavras.
Uma parte separa-se e não há nada que preencha, nada que acalme a angustia.
Que dizer da alma que fez do coração repleto de enigmas e singularidades a mais bela e amarga sensação?
Foi ele quem revelou o sentido da vida e o colocou como um espelho perante suas sombras.
Dias se passam e nada resta de um belo sonho, senão recordações dolorosas que esvoaçam com asas invisíveis em torno dela, provocando angústia em seu coração e lágrimas em seus olhos
E então lá morreram as aspirações, lá fundaram-se as alegrias, lá evaporaram-se os sorrisos e abundaram-se as lágrimas.
O amor que ontem era uma canção melancólica entre os lábios da vida, hoje é um mistério mudo no coração desta floresta.
Aquele coração que foi uma prisão escura em que as tormentas eram fartas.
Não havia nele saída alguma para a luz, até que o amor chegou e abriu-lhe as portas e tudo se iluminou.
E a alma dela então foi dividida com que a eleva as alturas e a faz enxergar a beleza por trás da neblina dos devaneios e com o que ofusca a vista como poeira e a deixa perdida e com medo em meio a intensa escuridão.
Existe um mal em sua alma que a faz amar a solidão e o isolamento. Este a cega, não a deixa enxeragar o sol.
Então ela vê o amor através dos olhos de anjos e a agonia através dos demônios...e ela pensa: - Não é nobre vê anjos e demônios?
O amado que entrou em sua alma com uma intimidade feroz, como se fizesse parte de sua alma a qual vivia perdida na rasura.E encontrou eco na profundidade da compreensão.
A doçura e a amargura, eis os licores que embriagam sua essência.
Porém como o sol dá lugar a lua, a tormenta cede a quietude e assim ela sente-se em paz e está pronta para um novo amanhecer.

* Em momento de intensa dor e crescimento de minha alma

UMA DAS MARIAS


De sua tristeza e de seu sorriso

Sua cabeça mantinha-se sempre erguida, e a chama de Deus estava em seus olhos.
Estava freqüentemente triste, mas sua tristeza era ternura manifestada àqueles que sofriam, e camaradagem dada aos solitários.
Quando sorria, seu sorriso era como a fome daqueles que anseiam pelo desconhecido, e como a poeira de estrelas caindo sobre as pálpebras das crianças. E era como um pedaço de pão na garganta.
Ele era triste, mas de uma tristeza que subia aos lábios e tornava-se um sorriso.
Era como um véu dourado na floresta quando o outono está sobre o mundo. E algumas vezes parecia como o luar nas margens do lago.
Sorria como se seus lábios cantassem numa festa de bodas.
Todavia, era triste com a tristeza do ente alado que não ultrapassa no vôo seu camarada.”

*Extraído do livro “Jesus o Filho do Homem” de Gibran Khalil Gibran.

F. Pessoa

“A borboleta não tem cor e sim a cor que tem cor nas asas da borboleta”.

A Modern Panarion

"Não pode haver nenhuma real libertação do pensamento humano nem expansão dos descobrimentos científicos, enquanto não for reconhecida a existência do espírito, e aceita como um fato a dupla revolução".

Prece Irlandesa

"Que a estrada se abra à sua frente,
Que o vento sopre levemente às suas costas
Que o sol brilhe morno e suave em sua face,
Que a chuva caia de mansinho em seus campos...
E, até que nos encontremos de novo,
Que Deus lhe guarde na palma de Suas mãos. "

N

E agora, o que eu vou fazer?
Se os seus lábios ainda estão molhando os lábios meus?
E as lágrimas não secaram com o sol que fez?

E agora como posso te esquecer?
Se o seu cheiro ainda está no travesseiro?
E o seu cabelo está enrolado no meu peito?

Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo

Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
E te beijar
De novo

E agora, como eu passo sem te ver?
Se o seu nome está gravado no
Meu braço como um selo?
Nossos nomes que tem o "N"
Como um elo

E agora como posso te perder?
Se o teu corpo ainda guarda o
Meu prazer?
E o meu corpo está moldado com o teu?

Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo

Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar

Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo

Espero que o tempo voe
E que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
E te beijar
De novo
De novo...de novo...de novo...


Nando Reis

DE ALMA PARA ALMA




Minha alma amiga, que me mostrou um outro mundo ...



Meu amado amigo, que despertou em mim os mais profundos sentimentos de minha alma....que me falou com palavras jamais proferidas e confidenciou-me seus segredos mais nobres....
A ti meu bem-amado, irmão de sentimentos sublimes, devo a minha liberdade...
Sinto-me feliz ao dividir contigo minha morte e meu renascimento...nem mais, nem menos...simplesmente o que é...
A paz é plena ao teu lado, a ti, somente a ti, confidencio meus anseios de vida e de morte.
Cada momento ao teu lado enobrece meu ser e traz luz à minha alma...
Tuas palavras e ensinamentos ecoam em meu interior e me transporta a mundos distantes...
Tua totalidade é paradoxal e tua verdade é fundamentalmente, taticamente contraditória...ou seja, dia e noite. Tanto que sinto às vezes tua inconsistência.
És de uma beleza rara e singular.
O que tenho para te oferecer além de minhas lágrimas e contradições? Além de meu riso de morte e choro de vida?
Nada meu bem....absolutamente nada...!

A BELEZA DO SIMPLES


Hoje conheci um mestre...alguém que me emocionou e mexeu com sentimentos profundos de minha alma.
Um indivíduo de beleza rara e simples. Um senhor grisalho, magro, fala suave, gentil e sedutor.
Sua profissão tão nobre quanto sua espiritualidade: açougueiro, trabalhador do mercado público e sua aura brilha como seu avental branco.
Tivemos uma conversa interrompida de breves momentos de intensa filosofia oculta. Ele falou de mim como se eu estivesse despida, interiormente num relato fraternal e doce.
Mas isso tudo ficou mais sublime e belo quando Mestre Antonio perguntou-me:
Que disseram de mim?
E eu lhe respondi:
Que és um Mestre!
Ele sorriu mansamente, baixou os olhos e respondeu:
Eu não sou um mestre...não sou nada...
Senti a presença divina naquele momento...e lhe falei:
Então tenho certeza que és um mestre...porque se tivesses me dito que eras, sua pretensão lhe negaria a sabedoria. Somente os sábios tem a humildade de serem absolutamente nada...
Ele então fixou meus olhos e sua face ruboreceu, percebi que escapavam lágrimas de seus olhos brilhantes...
Senti uma energia em meu corpo e ví a eternidade daquele instante sublime...
Nossa conversa prosseguiu por mais alguns minutos e minha vontade era permanecer naquele santuário.
Depois de algumas profecias, mestre Antonio se despediu dizendo:
Minha amiga, quando precisares de um amigo,não se constranja, apareça para conversarmos.
Eu agradeci, beijei sua mão e fui embora.
Acredito em anjos. E este foi um deles que apareceu em minha vida, colorindo um dia de chuva e beleza divina.
Um açougueiro do mercado, simples, um trabalhador que fez de seu ofício um portal de energias positivas, luz e sabedoria.
Como é encantadora a presença de Deus nos indivíduos.

SOLIDÃO

SOLIDÃO não é a falta de gente para conversar,
namorar, passear ou fazer sexo....

ISTO É CARÊNCIA

SOLIDÃO não é o sentimento que experimentamos pela
ausência de entes queridos que não podem mais
voltar.....

ISTO É SAUDADES

SOLIDÃO não é o retiro voluntário que a gente se impõe
às vezes, para realinhar os pensamentos.....

ISTO É EQUILÍBRIO

SOLIDÃO não é o claustro involuntário que o destino
nos impõe compulsóriamente para que revejamos
a nossa vida.......

ISTO É UM PRINCÍPIO DA NATUREZA

SOLIDÃO não é o vazio de gente ao nosso lado.......

ISTO É CIRCUNSTÂNCIA



SOLIDÃO É MUITO MAIS DO QUE ISTO.
SOLIDÃO É QUANDO NOS PERDEMOS DE NÓS MESMOS E PROCURAMOS EM VÃO PELA NOSSA ALMA.....

(CHICO BUARQUE DE HOLANDA)

COR-RESPONDÊNCIA

Remeta-me
os dedos
em vez de cartas de amor
que nunca escreves
que nunca recebo.
Passeiam em mim estas tardes
que parecem repetir
o amor bem feito
que você tinha mania de fazer comigo.
Não sei amigo
se era seu jeito
ou de propósito
mas era bom
sempre bom
e assanhava as tardes
Refaça o verso
que mantinha sempre tesa
a minha rima
firme
confirme
o ardor dessas jorradas
de versos que nos bolinaram os dois
a dois
Pense em mim
e me visite no correio
de pombos onde a gente se confunde
Repito:
Se meta na minha vida
outra vez meta
Remeta.


Elisa Lucinda

MENTIRAS SINCERAS


É exatamente isso...tenho ódio de tuas mentiras sinceras, elas penetram minha alma como lâminas e estraçalham algo do que resta em meu coração.
Bom, lendo um livro uma frase me chamou atenção “ não são as palavras que desmascaram as pessoas, mas seus próprios atos”. É isso.
Assim sinto que realmente a minha verdade é diferente e não creio na tua...destruição total...
Não há lamentação nisso, constato que não existe possibilidades ou probabilidades. É tudo enfim uma grande farsa...dolorosa, fria, dura, sutil...
Penso que esse mundo irreal o qual criamos, longe da civilização, em meio a eucaliptos e doces melodias,...é uma prisão, distante da normalidade..até porque necessitas do lixo para escapar da sensação de sutileza e enfrentar essa humanidade podre...nisso te tornas igual a ela...tão sujo quanto...essa é a decepção. Enquanto eu não quero ser cúmplice disso.
Dia cinzento e frio, como me sinto...há um vazio detestável em mim, um sentimento de solidão, não existe absolutamente ninguém que sinta como eu...me enganei contigo? Não...auto engano
Bom nada de muito diferente do constante e diário.
A humanidade me agride, tu me agrides, minha verdade e pureza me consome.
Aonde está tua nobreza, sutileza e suavidade? Porque não consigo te enxergar senão com minhas lentes equivocadas? Porque vejo tua real imagem? Porque não tenho o melhor de ti? Porque necessitas de um mundo ilusório? Aliás qual é a ilusão? Tua dualidade é tua verdade...e minha verdade é não digerir isto...
Me diz o que estou ainda fazendo nesse mundo de ignorâncias, mentiras...isso fede demais...porque alguém opta por isso? Porque tu és tão sublime e tão promíscuo?
Estou exausta da tua dualidade, me cansa...Não há nada de verdadeiro em tua essência?
Podes me dar somente tua nobreza?
Hoje te dou todo ódio de minha alma...Queres minha verdade?
Portanto aproveite para refletir sobre quanto tu oferece de ti mesmo...pensa e responda, não para mim, para ti mesmo.
Agora morra e renasça...quero te ver em um outro dia...não neste...não estamos pronto para a sutileza da minha alma...

A BORBOLETA AZUL




Sorriso doce, hálito suave...menina dos olhos negros e brilhantes como a noite. I
Irradia inocência, maturidade e sabedoria.
Transborda amor em sua sutileza, cheira ao verde coberto pelo orvalho de uma manhã fria de inverno.
Dança como o vento e voa como uma linda borboleta azul...
Tão suave, tão doce e tão bela... nasceu de mim e hoje vive ao meu lado como uma amiga amada, uma linda e pequena lagartinha.
Cada dia mais dona de si, independente, tentando ser liberta...
Minha filha, luz dos meus olhos, minha verdade sublime, como podes ser tão frágil e tão forte ao mesmo tempo?
Quero que minha borboletinha, ao deixar de ser lagarta, voe por este céu e descubra que pode flutuar com o ar, dançar com as árvores, mergulhar com as águas dos rios e jogar com as estrelinhas do céu.
Voa com a mamãe agora e eu te mostrarei como tudo é muito simples quando somos um com o universo;
Vem minha pequena lagartinha, brinca com as flores, ouve os sussurros das árvores e encante-se com o que realmente é verdadeiro neste mundo;
Minha doce borboletinha azul, vem voar com a mamãe, vamos brincar com as flores, dançar entre elas, pousá-las e voltar a dançar;
Vem comigo, iremos bem perto do céu e daremos as asas aos anjinhos desta floresta, fazendo ciranda;
Vamos até aquela cachoeira, veja como ela transborda vida à todos, sem distinção porque ela entende que somos todos iguais;
Minha linda, agora larga minha asa e ousa, voe, siga teu caminho, sinta com o coração. Canta com o amigo sol a melodia da bem-aventurança;
Caso precises de uma asa amiga, estarei aqui, nestes eucaliptos, observando meu maior feito....tua liberdade;
Voa minha borboletinha e não olhe para trás, para frente ou para os lados...não há nada lá fora, tudo está dentro de ti.
Estarei sempre aqui, sendo a observadora da individualidade de tua alma...te amo...te respeito...quero te ver voar Lígia, nessa beleza rara...
Agora vou deixá-la, segue teu coração ele te conduzirá ao templo sagrado...E viva...isso é liberdade;
Minha querida, sei que deixarás de ser lagarta...quero te ver sempre com esse brilho e doçura ingênua...não os perca meu bem...
Leveza de meus dias;
Eternidade sublime.

NOITE ESCURA

São João da Cruz

Em uma Noite escura,
com ânsias em amores inflamada,
ó ditosa ventura!,
saí sem ser notada.
estando minha casa sossegada.

A ocultas, e segura,
pela secreta escada, disfarçada,
ó ditosa ventura!,
a ocultas, embuçada,
estando minha casa sossegada.

Em uma Noite ditosa,
tão em segredo que ninguém me via,
nem eu nenhuma cousa,
sem outra luz e guia
senão aquela que em meu seio ardia.
Só ela me guiava,
mais certa do que a luz do meio-dia,
adonde me esperava
quem eu mui bem sabia,
em parte onde ninguém aparecia.

Ó Noite que guiaste!,
ó Noite amável mais do que a alvorada!,
ó Noite que juntaste
Amado com amada,
amada nesse Amado transformada!

No meu peito florido,
que inteiro para ele se guardava,
quedou adormecido
do prazer que eu lhe dava,
e a brisa no alto cedro suspirava.

Da torre a brisa amena,
quando eu a seus cabelos revolvia,
com fina mão serena
a meu colo feria,
e todos meus sentidos suspendia.

Quedei-me e me olvidei,
e o rosto reclinei sobre o do Amado:
tudo cessou, me dei,
deixando meu cuidado
por entre as açucenas olvidado.

O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...