A NOITE ESCURA DA ALMA


E cai a noite com sua escuridão, a rua deserta, uma chuva fria e constante.
Parece ela, uma mulher que acaba de despertar para a vida.
Sua pele branca em contraste com a negritude de seu íntimo, sua ansiedade altera a respiração e a deixa confusa.
Há muitos sentimentos em seu interior, ela chora por saber, conhecer, enxergar, ouvir e viver, depois de absolutamente nada, de um vazio constante.
Pela primeira vez ela respira um ar suave, abundante e solitário.
Ela consegue ver a beleza de começar a viver a partir do que ela própria descobriu, suas verdades íntimas.
Seus conceitos libertos, não formulados, sem linhas contornos ou deuses.
A vida entra nela com toda sua magnitude, verdade e luz. E ela inspira toda nobreza infinita e abstrata.
E exala um cheiro de manhã de inverno, onde o orvalho toca as folhas verdes e o sol beija a terra.
Seus pensamentos desconexos, despadronizados, melancólicos, dispersos se fundem com a inquietude, e ela tem vontade de gritar, mas não consegue.
Sua voz presa à garganta, ela tenta reagir em vão, pudera ter asas e voar para bem longe.
Ela sai caminhando e a estranheza lhe é companheira, quem são estas pessoas? Não reconhece ninguém. Perdida em uma estrada sem fim, sem saber para onde ir.
Tenta então voltar, mas não há mais a estrada percorrida, pensa em não caminhar, e fica parada, mas o que a cerca tem outro ritmo e a leva para um verde sem casas, pessoas...sem nada.
Só há ela mesma, ela está só e o desespero toma conta de seu ser.
E agora? Não existe mais nada, somente seu eu e vislumbres de liberdade e loucura.
Quem sabe ela enlouqueceu? Porque tudo que era real é ilusão e todo vazio é o presente, toda irrealidade parece sua única verdade.
Como se ela não fizesse mais parte desse mundo, como se tivesse seu mundo próprio. Egoísta e solitária.
Essa melancolia é tudo que possui é o seu tesouro.
De repente cai em um abismo, não tem onde agarrar-se, o desespero a deixa tensa, ela chora compulsivamente, não há onde apoiar-se, quando olha para cima não há luz, para baixo não há fim.
E ela continua caindo, e questiona-se em meio a lágrimas e apatia: Até quando?....até quando?

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