SOU EU...SEM DÚVIDA


Eu sou um estrangeiro neste mundo; viandante que percorre, inutilmente, toda a terra, de norte a sul, desde o nascente ao poente, em busca do solo natal, que nem eu, nem ninguém o terá visto, que ninguém o conhece ou terá ouvido falar dele.

Quando amanhece e desperto, vejo-me preso numa gruta sombria, de cujo teto pendem, por todos os ângulos, inquietos hóspedes alados, temíveis e horrorosas serpentes. Saio logo para a luz, e sou perseguido pela sombra do meu corpo, assaltado pelo fantasma de minha alma, que me transporta por caminhos desconhecidos, para horizontes inexplicáveis, tomado por coisas sem utilidade e sem finalidade alguma.

Ao tombar o dia, volto a cair no meu leito de penas quebradas e espinhos aguçados por martírios. Aí, sou perseguido por pensamentos estranhos e se apossam de mim desejos que se contradizem, instantes dolorosos e molestes, seguidos de outros, prazenteiros e felizes…

Meia-noite em ponto; e, pelas fendas das rochas, entram duendes em minha gruta, visões dos tempos idos, espectros de nações esquecidas.

Olhamo-nos firmes, por momentos; quando os interrogo, sorriem e não respondem; por mim, se os quero apanhar, esfumam-se como o nevoeiro.

Neste mundo, eu sou um forasteiro. Não existe quem compreenda uma palavra, ao menos, da linguagem da minha alma.

Percorro os ermos desertos, fito os regatos velozes que correm do cimo das montanhas até o fundo dos barrancos; vejo as árvores nuas revestirem-se de virente folhagem e logo frutificarem, espalhando pelo solo, instantes após, as folhas secas dos ramos frondosos, agora feito áspi-des, contorcidos num torpor de frio sono…

Também contemplo as aves que voam de um para outro lugar, subindo e descendo, trinando, alegres ou tristonhas, que param, por fim, de asas abertas, transformadas, por instantes, em mulheres nuas de cabelos soltos e seios ebúrneos, que me olham através de pestanas que a paixão finge de lânguidas, sorrindo com os lábios rosados e úmidos de mel, estendendo–me as suas mãos finas e perfumadas, e que, no entanto, desaparecem logo na névoa, deixando no ar o eco das suas risadas sarcásticas, que zombam de mim…

Eu sou um estrangeiro neste mundo. Sou o poeta que, de passagem pela vida, canta em seus versos o que ela possui de mais profundo, harmonioso e belo.

Eu sou um estrangeiro, e serei sempre um estrangeiro para mim, até que a morte me leve e me faça voltar à minha verdadeira pátria.

GIBRAN

INTENSIDADE

Nossas almas são como flores tenras à mercê dos ventos do Destino. Elas tremulam à brisa da manhã e curvam as cabeças sob o orvalho cadente do céu.
Gibran

O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...