" Se eu sou estranha por tentar semear no caminho sementes de alegria.
Se eu sou estranha por sorrir para a vida mesmo que tudo fique difícil.
Se eu sou por acreditar que o mundo é um ser vivo que tem o direito de receber,
Não só a dar.
Se eu sou por ter ouvidos aos sons da natureza,
Em vez dos enganadores cantos de sereia da sociedade.
Se eu defendo que a ajuda não se compra nem é vendida,
Mas se empresta.
Se me emociona o retorno,
Todos os anos,
De uma andorinha ao ninho que a viu nascer.
Se fico indignada de ver uma mulher com as mãos no coração ferido,
Se me dói o menino de olhar triste,
Que se cruza no meu caminho.
Se eu sou estranha por pensar que para humanidade ainda resta uma esperança, por mínima que seja,
Enquanto houver uma só pessoa que acredite nisso.
Se conseguirem embelezar o som de uma nota,
O embalo de um mar em calma,
Se eu não ouvir as palavras
Porque eu me perco na voz que as pronuncia,
Se sou estranha por acordar,
A meia noite,
Com a lembrança de um verso ligado à minha boca (acontece muito),
Se eu sou estranha por acreditar que o coração me dá a liberdade e a razão,
Se sou estranha por me vestir de palhaça para roubar o sorriso de uma amiga,
Se eu sou por me olhar em uns olhos com a esperança de me ver refletida neles,
Então, sim.
Então confesso que sou estranha.
E enquanto ficar no meu corpo um sopro de vida
Lutarei por continuar a ser e por deixar constância disso."
WitchWolf
