Lenda do boto

Jorge Gouvea


"Pintura baseada na lenda do boto. Lenda esta, do norte do Brasil, que segundo ela, em noites de lua cheia o boto (animal inteligente e semelhante ao golfinho) surge dos rios amazônicos transformado num homem belo e sedutor, usando sempre roupas brancas e um chapéu na cabeça, com o propósito de atrair as moças para a beira do rio, a fim de ter relaçoes sexuais com elas para logo em seguida, engravidá-las."

Previne-te

És a nova pessoa atraída a mim?
Para começar previne-te, sou certamente bem diferente do que supões;
Supões que encontrarás em mim teu ideal?
Achas tão fácil me tornar teu amante?
Achas que minha amizade seria pura satisfação?
Achas que sou confiável e fiel?
Não vês além desta fachada, deste meu modo suave e tolerante?
Supões-te avançando em terreno sólido para um homem heroico real?
Não pensaste Oh sonhador que pode ser tudo maia, ilusão?

(WALT WHITMAN, 'Cálamo' - In: "Folhas de Relva".)


Através de um Espelho

"Traçamos um círculo imaginário ao nosso redor para afastar aquilo que não faça parte do nosso jogo secreto. Cada vez que a vida rompe esse círculo, os jogos se tornam insignificantes e ridículos. E então construímos um novo círculo e novas defesas."

"Através de um Espelho", 1961 •
Dir.: Ingmar Bergman.

Tédio

Então percebi, há algum tempo, que estava totalmente liberta do equívoco que me acompanhava há uns 20 anos.
Estranhamente não sentia mais nada. Era um tanto faz.
As conversas antes encantadoras foram perdendo o charme
As histórias antes, interessantes hoje não tinham mais unidade ou identificação. Aliás em algumas situações, sentia um enjôo. E não aqueles da bulimia, não os vômitos dos refinamentos, muito pelo contrário. Eram náuseas de tédio.
Mas algumas vezes insisti. Quem não gosta de uma bela história? Enfim...
Muitos desencontros e confesso, muitos eu causei. Não quis ir. Não tinha vontade. Arrumava desculpas, mentiras, afinal, sou maquiadora de diabos...
Eu me espantava pela indiferença que sentia.
Os cansaços da rotina virtual como se fosse um casamento de anos...
A obrigação de responder. Não queria mais aquilo.
Não sentia mais.
Não sinto mais....
A bizarrice no sexo estava me incomodando. Nada de puritanismo. Longe disso. Em princípio parecia um fetiche interessante. Depois vi que era algo que  necessitava de reciprocidade.  
Não era mais meu caso, nosso caso portanto.
Em certos momentos pensei e expressei
_ Não sinto absolutamente nada por ninguém!
Mas não era assim. Era por ele! Era ele.
Ou seja não era mais ele!
Hoje existe um nada.  
Estranho mais o fato de um dia ter acreditado em algo sem sintonia ou entendimento.
Não me sinto triste. Nem lamento. Não há dor.
Não vale a depressão ou o quase suicídio como foi dito.
 E de novo o tanto faz!
Só a reflexão: Não sobrou absolutamente nada! 
Não houve ataque de fúria, houve só uma exaustão exatamente nestas palavras
" Vai a merda!"
Mas a fragilidade e o ego masculino precisam de enfeites. Que seja! Se assim o satisfaz. 
Agora realmente livre das exaustivas
doses de veneno. 
E ao contrário do que foi dito " tudo muda, pode ter certeza que mudou. Hoje eu tenho a opção.
É bem diferente. Eu digo não. Eu não quero.
Há liberdade e tranquilidade na certeza de nunca mais permitir que alguém seja mais importante do que eu ou do que eu quero! Simples assim!

Sheela

O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...