Meados de maio – depois das geadas de maio que mataram as camélias,
Depois da neve de maio. Depois do pior inverno
Que há na memória humana, do friúme
Que matou o loureiro de cem anos
E o loureiro de dez anos – de repente
Uma brandura tépida. Um céu azul recém-velado
Com os vapores da terra
E a evaporação do inverno
Febricitante sob a malha de maio
Que reveste a relva.
Eis que duas
Borboletas-monarcas, descobrindo-se vivas,
Ela embriagada com o vapor da terra, e ele
Embriagado com ela, flutuam pelos remoinhos
Sobre uma colcha de margaridas. Ela prefere os dentes-de-leão,
Pronta para estender sua língua elástica
Até a ninhada plissê, lá dentro da garganta em dobras
Da flor, com as asas bem erguidas.
Ele se põe logo atrás dela, em pleno reluzir
Da relva nova, acercando-se e girando
Bem perto do toque – pulsando e tremulando
As asas muito abertas, e bem unidas, e desfraldadas,
Palpitando a fim de mantê-la por ali, até quase
Atingi-la no abdômen com as antenas –
Depois ela se eleva e vai embora, e ele, alarmado,
Voa atrás dela, igual andorinha, empurrando-a, conduzindo-a
Sem escapatória. Ela tira vantagem disto
Para seus propósitos, voltando-se
para outro dente-de-leão, tocando
Seu iate sem gravidade sobre a crista flórea.
Bamboleia a fim de mais controle, de mais doce, de mais funda
Penetração, as asas bem cerradas sobre o dorso,
Um livro bem fechado, absorto em si mesmo.
Ela o ignora
Enquanto ele se acerca, pela direita, pela esquerda, alvoroçando
As asas abertas, bafejando a penugem dela
Com sua aragem perfumada, agitando as padronagens,
Seu apelo pavonesco e tropical de artesania,
Aventurando-se mais perto, sobre cada lâmina de folha,
Tremendo como inibido, bem perto de tocá-la –
E ela outra vez vai embora, vacilando sem noção nenhuma.
Elástico, ele dá uma rasante a fim de se recolocar
De novo na cola dela, que agora agarra
Uma margarida. Ela tinha sido escolhida,
Reclamada para a corte. E ele, recrutado
Para aquilo que se requer
Do botão que desabrocha, do sabiá talentoso
Que dispara perfurante
Desde o freixo ainda nu,
O ar inteiro igual a ele, que apenas respira
Acima da terra ainda introspectiva, nas primeiras
Carícias do casamento por vir, abrindo
A terra suas pétalas, o céu inteiro
Abrindo uma flor
De indizivelmente facetado pólen.
Ted Hughes

















