A falta do teu nome nessa língua

que difícil te perder. eu me entregaria ao desalento

emudeceria por uma vida inteira - e nesse tempo talvez aprendesse a linguagem das aves

no fim do verão escreveria cartas de amor às viúvas, como se lhes dizendo que pode haver sentido nisto de esperar a chuva

no lugar de te perder, também eu passaria anos esperando pela descoberta
e catalogação de novas estrelas. entraria para alguma ordem religiosa. faria votos de pobreza, jejuaria

perco-te com mais tristeza do que se visse que depois de dias e noites pendendo à beira de si a rosa de gamoneda cedeu à morte em vez de ceder ao perfume
com mais tristeza descobriria uma língua antiga que não tem registros do teu nome
com mais tristeza reconheceria a falta do teu nome nessa língua do que reconheço hoje como me faltam palavras na minha própria



mar becker
em: um poema do caderno dos lenços. manterei esta versão para a série "amar, ruir", 2020
gamoneda: menção a uma imagem do livro do frio, de antonio gamoneda, o poeta

Amor sou tua



"Se nem tudo contigo são alegrias serenas
Se me dás tanta hora amargurada
Se padeço e te digo em certos dias
Que me quero ir embora por fim cansada
Se me dói o ciúme, se me põe louca de penas
Se anda tanto queixume na minha boca
Meu amor, minha vida, são queixas somente
De alguém que sente que anda sentida
O que digo não faço, o amor continua,
Sei que não posso, amor sou tua"


O silêncio das almas

 Eu não quero ser o destino  Prefiro ser o caminho.  Eu não quero ser despedida  Prefiro ser reencontro.  Eu não quero ser ponto final  Pref...