Um prego em meu peito

 Penduraram meu corpo na parede 

um prego em meu peito

para que ele não voe


emoldurada ao lado da estante

curvada ao tempo da espera 

ruminando os silêncios dos dias 

queimando nas noites sem chamas 

soterrada em memórias acumuladas 


mas conservaram meus dedos 

para que eu veja os livros 

mas não os alcance


mas conservaram meus olhos 

diante da janela 

para que eu veja o mar

parado num mesmo instante

e não o esqueça 

porque esquecer é luxo. 


Daniela Fantin

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