Camarada vida, vamos adiante. Maiakovski

 

Este ano não vou votar como gostaria.
Tenho como foco sempre um projeto socialista, de esquerda, radical, que não compactua com conciliação de classes. Pelo contrário, desde jovem percebo a vida nessa sociedade burguesa com essa impossibilidade muito evidente. Também não acredito na democracia burguesa, nessa construção ilusória de escolha sempre entre um liberal e outro.
Mas, pelo meu entendimento da atual conjuntura, escolho um voto mais longe da minha ideologia e da luta que defendo, de maneira estratégica. Porque acredito mais na possibilidade de construção de socialismo na luta organizada – popular, não institucional; em comunidade, não centrada em um ídolo – em um governo Lula do que em um governo Bolsonaro. Em um governo que, mesmo com todos seus problemas típicos de um projeto liberal, apoia muitos dos movimentos contra concentração de terras do que em um governo cujo projeto incita violência contra os movimentos populares.
Voto em Lula na defesa de poder criticá-lo e lutar contra sua conciliação de classes, como sempre fiz. Possibilidade essa que em governo Bolsonaro é reduzida à violência, extremismo e ignorância. Não voto com orgulho, não voto com esperança em seu projeto. Voto pensando em construir meios pra luta que acredito longe do ódio violento, transfóbico, elitista, racista e misógino de Bolsonaro.


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