Tudo é transitório e inconstante.

Há em mim um pouco de tudo...

Pessoas, músicas e sons, lugares, sensações, memórias(ainda restam algumas)

Sou movida por instinto e intuição

Apesar de ter um lado muito forte de racionalidade em situações de emergência

Há uma dureza que não conhecia, ela me impede de chorar e sentir muitas vezes 

Em qual momento isso aconteceu não sei dizer, sei que é latente e está em mim.

Talvez seja por essa condição de dor e sofrimento constante. A vida não dá tréguas.

 Este estado de vigilância nos embrutece. Comigo é assim.

Sou feita de tantas histórias, de pessoas que chegaram e partiram, outras ainda permanecem. Umas mudaram de lugar, de sentimento, de intensidade.

Outras só passaram, nem lembro mais. 

Tudo é transitório e inconstante. E isso é ótimo. 

Dualidades. Contradições.

 Encantamentos fazem parte de meu dia. Um sorriso de um artista de rua, um protesto na praça, um estudante escolhendo livro em um sebo, aquela música tocando na loja, uma cena de um filme, o cheiro do café sendo preparado e do bolo de milho assando, um cão brincando na rua ...

Como disse em um outro texto (de algumas décadas) o mundo( belo e feio) ainda entra em mim com muita força

A fome, desigualdade, injustiça, preconceito, violência...acabam comigo. 

Não costumo sorrir muito, alguns dizem que tenho um riso irônico, outros dizem que é um riso triste

Acho que todos estão com razão. Sou um pouco disso mesmo, raramento dou gargalhadas e quando acontece soa desengonçada e me causa estranheza.

Sou cercada de pessoas  que eu creio, nasceram para me fazer sorrir, sentir e respirar. Elas me salvam sempre. De mim mesma, do mundo. Da feiura. Da secura.

As minhas pessoas.. algumas nem sabem que me são tão caras, outras não fazem ideia de como iluminam meu dia, são as desconhecidas ou não, as lutadoras, injustiçadas, incompreendidas, anônimas, amáveis, leves como uma pluma outras brutas como uma rocha. Outras não sei. Mas em algum momento "estão" minhas pessoas.

Há em mim muito de tudo o que foi. De tudo o que há. De tudo que não faço ideia do que seja.

 


 

 

 


  

 

  


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