Tudo vive em mim

Tudo vive em mim. Tudo se entranha  
Na minha tumultuada vida. E por isso 
Não te enganas, homem, meu irmão,  
Quando dizes na noite, que só a mim me vejo.  
Vendo-me a mim, a ti. E a esses que passam  
Nas manhãs, carregados de medo, de pobreza,  
O olhar agudo, todos eles em mim,  
Porque o poeta é irmão do escondido das gentes  
Descobre além da aparência, é antes de tudo  
LIVRE, e porisso conhece.
Quando o poeta fala  
Fala do seu quarto, não fala do palanque,  
Não está no comício, não deseja riqueza  
Não barganha, sabe que o ouro é sangue  
Tem os olhos no espírito do homem  
No possível infinito. Sabe de cada um  
A própria fome. E porque é assim, eu te peço:  
Escuta-me. Olha-me. Enquanto vive um poeta  
O homem está vivo.

H.H

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